quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O Homem de Aço

O Homem de Aço (Man of Steel) - 2013. Dirigido por Zack Snyder. Escrito por David S. Goyer e Christopher Nolan, baseado nas histórias e personagens criados por Jerry Siegel e Joe Shuster. Direção de Fotografia de Amir Mokri. Música Original de Hans Zimmer. Produzido por Christopher Nolan, Charles Roven, Deborah Snyder e Emma Thomas. Warner Br9os., DC Entertainment e Third Act Productions / UK | USA | Canadá.


A constante necessidade de reciclar e de revisitar antigas fórmulas de sucesso faz com que a industria cultural se coloque por vezes em uma situação vergonhosa que a leva a produzir obras totalmente injustificáveis, raramente uma dessas produções se salvam... Desde que os filmes de super-heróis voltaram à moda no início da década passada, diversos personagens das HQs ganharam longas-metragem em live action, alguns desses filmes renderam continuações e outros até prequels e/ou reboots. Apesar de serem meros caça-níquéis, algumas dessas obras se destacaram, isso porque trouxeram consigo algum elemento, técnico ou dramático, que acabou funcionou como um diferencial, outras, no entanto, a grande maioria, deram apenas uma roupagem nova para antigas fórmulas. Dentre estas, tiveram aquelas que fracassaram por tentar inovar sem a dose ousadia necessária para sair do lugar comum, este é o caso de O Homem de Aço (2013) de Zack Snyder.

É quase inevitável que se crie alguma expectativa em relação a este tipo de filme, o público que consome estas obras com um entusiasmo mais elevado anseia por saber se o roteiro será ou não fiel à história original, se esta obra dará ou não continuidade às histórias já contadas com os mesmos personagens e, principalmente, se o filme passará no teste ao qual é submetida a grande maioria das adaptações: se ele é ou não melhor que a obra que o originou. No caso de O Homem de Aço, podemos somar a tudo isso três outros fatores: a presença do cineasta Christopher Nolan (que dirigiu a mais recente trilogia do Batman), como produtor e co-roteirista (ele é um dos responsáveis pelo argumento); a recepção fria que Superman: O Retorno (o filme anterior do herói) teve, quando lançado em 2006; e a estilização gráfica, característica das obras de Zack Snyder, que já chamava a atenção nos primeiros vídeos promocionais do longa, por dar a ele uma aura aparentemente reflexiva e contemplativa.


Para a decepção daqueles que criaram expectativas exacerbadas, a presença de Christopher Nolan acabou colaborando pouco para a qualidade do filme (não descarto a possibilidade de ser ele um dos grandes responsáveis por sua mediocridade, uma vez que ele provavelmente teve uma grande influência sobre o processo criativo, por ser um dos produtores). O roteiro de O Homem de Aço é extremamente raso e isso compromete toda a narrativa. Sem uma boa história para contar, Zack Snyder aposta no aspecto sobre o qual detém um relativo domínio: os malabarismos visuais. Não por acaso o filme acaba se rendendo às sucessivas sequências de destruição, repletas de efeitos especiais, que tentam o sustentar em seus últimos atos. A revisão de alguns pontos da história do herói, que poderia ter sido o grande diferencial do longa, acaba tornando evidente o quão frustrada foi a tentativa de emprestar algum realismo para a trama, os fãs do personagem alimentaram a esperança de que fossem fazer aqui algo parecido com o que fora feito na trilogia do homem morcego dirigida por Nolan, o resultado final, contudo, passou bem longe disso.


A trama do filme chega a parecer minimalista, tamanha a sua resistência em se aprofundar nas questões abordadas. A passagem na qual um grupo de condenados recebe o exílio como castigo dá uma pequena noção do quão problemático é o roteiro, afinal de contas o exílio salva os condenados de desaparecerem junto com o planeta onde viviam, cuja destruição iminente já era aguardada pelo restante da população que tinha algum entendimento sobre o que estava acontecendo; isso soa no mínimo idiota, uma vez que aqueles que os condenam, mesmo sabendo disso tudo, permanecem no planeta, aguardando o momento de suas próprias mortes, sem que haja qualquer justificativa para isso. Restam ainda os clichês associados à figura do herói deslocado, que busca seu lugar no universo, e um romance forçado, pessimamente desenvolvido na trama.


Henry Cavill, que encarna o protagonista, Michael Shannon que dá vida ao General Zod e Kevin Costner que vive Jonathan Kent, o pai do herói, estão muito bem, seus desempenhos constituem um dos pontos mais positivos do filme. No entanto, nem as boas atuações, nem as cenas de ação bem construídas e tão pouco a bela fotografia são o suficiente para poupar o filme de ser uma das maiores decepções do ano. O roteiro raso e a narrativa paupérrima comprometem toda a obra e o que sobra é a impressão de que de fato este era um filme totalmente desnecessário... Não creio que seja preciso fazer aqui nenhum resumo do argumento, afinal trata-se da mesma história que já nos foi contada inúmeras outras vezes, as pequenas variações que então percebemos pouco acrescentam para a composição dos personagens e são incapazes de justificar a pseudo ousadia que Zack Snyder reivindica para si... "É um pássaro? É um avião?" Não, é a manifestação dos egos inflados de cineastas e produtores em crise... 


Assistam ao trailer de O Homem de Aço no You Tube, clique AQUI !

A revelação das passagens aqui comentadas não compromete a apreciação da obra.

9 comentários:

  1. Sabotado por sua própria pretensão. Particularmente nem acho ser um filme de todo ruim, mas diante da expectativa criada pelo nome dos envolvidos no projeto, esperava algo bem superior ao que foi apresentado. Vamos ver o que vai acontecer em Batman vs Superman...

    abraço

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  2. O que mais me tranquiliza em referência a O Homem de Aço é o fato de nunca ter levantado nenhuma boa expectativa quanto à obra, visto que o Super-Homem sempre foi (de longe) o super-herói que menos teve minha simpatia, e suas passadas pelo cinema só me dão respaldo para a minha antipatia para/com ele. E no que eu esperava que o Homem de Aço poderia não me agradar, o que eu posso falar é que eu acertei em cheio.

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  3. Brandon Routh é o protagonista do superman de 2006.
    O de Man of Stel é Henry Cavill.
    Confesso que criei muita expectativa para este filme, muita mesmo, pois tinham nomes de peso na produção dele, porém acho que logo no primeiro filme de uma triologia seria dificil mesmo fazer um filme que agrada-se toda a critica, assim como foi o caso de Batman Begins.

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    1. Obrigado pela correção Fernando, fiz confusão... fiz a correção no texto!

      Ainda que haje variação de qualidade nos três filmes do Batman dirigidos pelo Nolan, há uma coerência entre a abordagem de cada um deles. No caso dos filmes do Super Homem eu acho difícil repetir esta façanha, se não forem corrigidos vários desacertos observados neste primeiro.

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  4. Olá, José Bruno.
    Ainda não vi Man of Steel, mas depois da minha desilusão com TDKR, o nome do Nolan nos créditos não significa mais nada pra mim.
    Me parece que Nolan irá usar a fórmula do seu último Batman para o resto dos filme s feitos sobre o Universo DC nas telas: personagem principal (ao contrário das hqs) não muito inteligente, trama superficial e excesso de efeitos.
    A sensação que se fica é que estes filmes são feitos exclusivamente para adolescentes, e não para todas as faixas etárias ou para adultos que gostem de filmes de ação.
    Abraço, José Bruno.

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  5. O filme foi muito criticado, mas sabe que ainda pretendo assistir. Vi até o anterior que era bem pior.

    Abraços.

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  6. Olá, José Bruno.

    Sabe, não acho isso não... Claro que não dá pra ir num Superhomem, ainda num cuja produção custou 200 milhões, esperando inovações temáticas e técnicas.
    Vi-o nas férias, dublado, no cinema da praia, e achei um bocado legal. Acho que é um filme-pipoca que não envergonha. Traz um elenco bem interessante (você não disse nada sobre Amy Adams, que está luminosa - como sempre - e ainda tem boa química com o galã). Não é nada genial, mas há alguma sutileza na construção do herói (a relação dele com o pai adotivo é construída com delicadeza). E a estrutura em flashback, (melodramática, concordo), ajuda o filme a se explicar e produz algumas surpresas. O protagonista é um garotão, que salva o mundo vestido com as cores do USA, ok, mas eles dominaram o mundo mesmo... quero dizer, procuro transcender esse tipo de julgamento quando vou pro cinema ver um filme desse tipo... A propósito, na mesma semana vi outro também dublado, Wolverine, e gostei mais do Superman...

    Bjo!

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  7. Bruninho, tudo bem?
    Pois notei essa volta dos super-heróis e achei até esquisita tendo em vista que ninguém mais 'acredita' neles hehe Preferia, sinceramente, que retornasse, ou melhor, aparecesse alguém de peso na linha do Stalone e seu inesquecível Cobra - :) (não é para rir, Bruninho), mas um personagem gente, com seus sofrimentos e inseguranças, mas ao mesmo tempo durão. Penso, sinceramente, que isso até traria mais bilheteria ao cinema norte-americano..., mas como achar outro Stalone?

    Quanto ao filme, e todos os filmes que você citou, não poderei comentar, pois não os assisti, desta forma não tenho elementos para dizer algo interessante. Além de que... desse jeito, o cinema argentino (sempre falo dos argentinos, não me aguento kkk), vai começar a ganhar mais mercado!
    E os 'velhinhos' Tom Cruise e turma, Depp e companhia, enquanto mantiverem seus botox em dia, hehe ainda serão grandes bilheterias, nessa linha mais gente e menos fantasia. Acho que isso funciona mais nos tempos de hoje, posso estar enganada.

    Se quiser passar por lá para uma leitura, estou com uma postagem pelos 3 anos do blog.
    Aguardo tuas atualizações! Seja para comentar ou apenas ler.

    O Bebê de Rosemary já li três vezes hehe

    Beijos!

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  8. Não me admira a decepção relacionada ao filme... essa febre de fazer filmes que deem dinheiro está me cansando. Mas, sabemos que isso não para, né!?!??!

    bjks :*

    JoicySorciere => CLIQUE => Blog Umas e outras...

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