sábado, 15 de outubro de 2011

Bucky (Jibaku-kun)

Bucky (ジバクくん Jibaku-kun) – 1999-2000. Dirigido por Akira Suzuki e Hiroyuki Tsuchiya. Baseado no mangá de Ami Shibata, publicado entre de 1997 e 1999. Softx Trans Arts / Japão.

 

Alguns dias atrás, pela proximidade do dia das crianças (12 de outubro), uma onda de desenhos animados tomou conta do facebook. Aquilo que seria a priori uma manifestação contra a exploração infantil, se tornou na verdade uma viagem de volta para os anos 80 e 90, décadas em que boa parte dos usuários da rede social ainda eram crianças ou adolescentes. Naquela época a internet era rara ou inexistente e TV por assinatura privilégio de pouquíssimos, sendo assim era a TV aberta quem definia as tendências, lançava modismos e oferecia o que se tinha de melhor em entretenimento para meninos e meninas. Apesar da minha resistência inicial à campanha (cheguei a usar um foto do Dadinho de Cidade de Deus como uma suposta foto de minha infância) acabei entrando na brincadeira. Nesta última semana, passaram pela foto de meu perfil personagens de Rupert, Os Animais do Bosque dos Vinténs, Samurai X, Yu Yu Hakusho, Babar, Jambo e Ruivão, Coelho Ricochete e Blau Blau, Akira (tá certo que este é um filme em animação, mas também foi um dos que marcou minha infância) e Bucky.

Dentre todos os que eu escolhi, Bucky talvez tenha sido o que estava mais deslocado. Explico: eu já não era uma criança que assisti a este anime, devia ter algo entre 13 e 14 anos, mas isso não me impediu de vivenciar a magia e a profundidade da história contada por ele. Não resisti, depois de mais de 10 anos que o assisti no “Band Kids” decidi que já era hora de revisitá-lo, confesso, fiz o download dos episódios em um site de compartilhamento de arquivos. Pra minha surpresa o desenho era tão bom quanto eu lembrava e desta vez eu ainda percebi nele aspectos que minha limitação de adolescente não permitira entender outrora. Esta é uma daquelas produções que parecem ter sido feitas para agradar tanto crianças quanto adultos, pois garanto, a forma com que decodifiquei a mensagem do anime, agora que o reassisti, tem pouco a ver com a nostalgia que ele me despertou.

 

A história de Bucky é no mínimo não convencional, no primeiro episódio do anime conhecemos o personagem principal, ele é um garoto em idade escolar que não consegue se socializar bem e nutre uma grande arrogância. O sonho de todos os seus colegas de escola é ser uma “Grande Criança (G.C.)”, uma espécie de herói nomeado que salva o mundo dos “Monstros Encrenqueiros”, criaturas que estão dispostas a provocar destruição e sofrimento. Porém, ao contrário de todos, Bucky (Baku no original) não quer ser uma “Grande Criança”, seu maior sonho é dominar o mundo e fazer de todos seus escravos. Para a surpresa geral ele é o escolhido por Spaak (En no original) para ser seu sucessor como a grande criança do primeiro mundo, chamado de Primas. A realidade paralela onde a história acontece é dividida em 12 mundos, dispostos em forma de um relógio, estes mundos são controlados pela Torre Pontiaguda, que fica no Mundo 0 (centro do relógio), cada um destes mundos é protegido por uma G.C.

 

Cada uma das G.C. são acompanhadas por um Espirito (eles têm o formato de uma bola com rostos, braços e pernas e explodem cada vez que abrem as mãos), que elas usam como arma, os espíritos são sempre repassados aos sucessores de uma G.C. quando esta fica velha velha demais para o cargo ou quando esta é promovida a “Grande Soldado (G.S.)”. Frequentemente as G.C. usam também um mostro como companheiro e meio de transporte, são os chamados Monstros Guias. Jibak (Jibaku no original) é o Espírito que Bucky recebe de Spaak. Diferente de outras G.C. Bucky não precisou de fazer teste de resistência ou de perseverança para assumir a função, ele foi apenas o escolhido por aquele que todos consideravam como o mais forte dentre os guardiões dos 12 mundos, por isso Bucky não tem a princípio um monstro guia nem uma Técnica pessoal, que seria uma especialidade desenvolvida por cada um dos defensores dos mundos.

 

É justamente o sonho de Bucky, de dominar o mundo, que o torna aos olhos de Spaak o merecedor de se tornar uma G.C., no primeiro encontro entre eles Spaak justifica: “Seja qual for o seu sonho, você deve correr atrás dele para realizá-lo. Se você for capaz de dar a vida para realizá-lo, será uma Grande Criança”. De fato é o sonho de Bucky que o motiva a sempre olhar pra frente e a se impor contra tudo que o possa impedir de alcançá-lo. Nos últimos tempos algo não tem estado certo nos doze mundos, os Monstros Encrenqueiros estão surgindo com uma frequência bem maior e a Torre Pontiaguda não tem se posicionado. Bucky decide então ir até o Mundo 0 para descobrir o que está acontecendo e para desafiar Spaak conforme prometera. Não tem como chegar ao Mundo 0 passando direto de Primas para Doidicos (o Mundo 12). Para chegar até a Torre, o aspirante a dominador do mundo terá que passar por cada um dos outros 11 mundos, o que não será nada fácil. Nesta jornada ele terá a companhia de Pinky (Pinku no original) a G.C. do Mundo 2, Secandas, de Kai, G.C. do Mundo 3, Trios, e de seus respectivos Espíritos, Bumby (Banbi) e Bakzan (Bakuzan).

 

De uma forma que chega a ser quase poética, o anime fala de amizade, ambientalismo, autoritarismo, superação e perseverança. Bucky também foi o primeiro desenho que assisti que tinha um personagem abertamente gay (pois é, o Shun, o Kurama e o Leiga não contam). Na minha opinião o mais legal na série, que tem apenas 26 capítulos, é a questão envolta nos sonhos. Curiosamente são apenas as crianças os detentores do poder de sonhar, de defender o mundo e transformar a realidade, é como se os adultos já tivessem desistido de si mesmos e de seus ideais, um personagem que surge em um determinado ponto da história exemplifica bem isso. Longe de cair na falácia típica da literatura de autoajuda, o anime consegue explorar o tema sem ser piegas, transformando a busca pelo sonho e não a sua realização no aspecto que trás dignidade e reconhecimento para o indivíduo. O roteiro de Bucky, baseado no mangá homônimo, é muito bem escrito, tornando o desenho mais gostoso de assistir a cada episódio. Uma pena que são apenas 26 capítulos, pois a história termina com um gostinho de quero mais... Recomendo para os fãs de animes e saudosistas de plantão!



Confiram no You Tube a versão brasileira da abertura de Buck!
Clique AQUI!
(confesso, eu adora o tema de abertura)


9 comentários:

  1. Tb curto mt animes!
    Seguindo.

    Gustavo do Aline Thompson Fans

    abração!

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  2. Olá cara!
    Obrigado pela visita ao meu blog!
    Uma pena que eu não conheça Bucky para poder falar mais sobre o desenho aqui, mas te garanto que, assim como vc teve uma boa impressão lá ao ver Radio Dept., fiquei muito feliz de ver algo sobre A Viagem de Chihiro e sobre o Redson por aqui! ^^

    Espero que seu blog alcance o sucesso merecido, pois vejo muito empenho por aqui! :)
    Garanto que volto!
    abs

    http://songsweetsong.blogspot.com/

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  3. Obrigada pela lembrança. Tenho andado sem inspiração ultimamente.
    Esses dias que eu postei um textinho de desabafo...
    O seu blog que está ótimo. Parabéns!

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  4. Valeu Pela Visita Parceiro
    Ja estou te seguindo tbm, seu blog é otimo.
    Lua de Papel, é incrivel, otimo filme.

    Abração

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  5. Muito massa! gostei de sua matéria...
    Jordão Viana - Ceará

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  6. Que massa cara, também lembro de Bucky e como foi um desenho bem legal na lista do Band Kids, depois de ler seu post, deu vontade de assistir de novo... hehehehehe
    Abraços

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  7. Muito bom parabéns, Bucky e uma história muito diferente isso que torna ela especial, saí um pouco do convencional, e uma história única nos leva além das armaduras dos ninjas e dos super guerreiros!

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