segunda-feira, 2 de junho de 2008

O Fardo


Do dia que se esgotava, lhe restava apenas o fardo, o pesado fardo da reminiscência de cada encontro, de cada diálogo, de cada situação... O corpo estava exausto, a alma estava sombria. Naquela noite ao chegar em casa, só o que pedia era um pouco de descanso, deitou-se em sua cama, ainda desarrumada, tal como a deixara ao se levantar naquela manhã. Agitado e despedaçado emocionalmente, tentou refletir sobre sua condição. não chegou a lugar algum... Perderia o sono dentro de instantes. Estava cansado demais e a consciência não lhe permitiria adormecer, estava tenso, cada vez mais tenso... Abriu a mochila, tirou o caderno e pôs-se a escrever. Falou de seus sonhos, seus medos, criticou os amigos e depois chorou... Chorou sobre as folhas em que rabiscara seus sentimentos. Dentro de alguns minutos elas estariam, rasgadas ou amassadas, atiradas pelo chão do quarto. Mais uma vez tentou dormir, o sono não veio... veio na tristeza, acompanhada de raiva e de uma forte dor de cabeça.

(escrito na noite do dia 30 de maio)



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