domingo, 26 de junho de 2011

Closer - Perto Demais

Closer – Perto Demais (Closer) - 2004. Dirigido por Mike Nichols. Escrito por Patrick Marber, adaptado de uma peça de sua autoria. Direção de Fotografia de Stephen Goldblatt. Música Original de Suzana Peric. Produzido por Mike Nichols, Cary Brokaw e John Calley. Columbia Pictures / EUA|UK.


Começo a perder a conta de quantas vezes já vi Closer - Perto Demais (2004), o que não me esqueço é que o odiei, sem nenhum exagero, na primeira vez que o assisti. Na verdade eu nem sabia explicar porquê, mas alguma coisa no filme tinha mexido comigo e me incomodado, eu sentia raiva daquele roteiro e me ceguei para a verdade de que justamente por ter me levado àquela reação, o filme já deveria merecer um grande crédito. A segunda vez que o assisti foi na TV aberta, lembro de ter chegado da faculdade e de tê-lo pego bem no início. Apesar da dublagem horrível, naquela noite eu faria as pazes com o longa, mesmo estando muito cansado naquele dia, lembro de não ter conseguido parar de assistir.

O filme mal tinha acabado eu já queria revê-lo, seria a terceira sessão, esta seria necessária pois eu sabia que o veria, a partir de então, com outros olhos e a experiência de tê-lo visto TV na aberta, dublado e com cortes, praticamente não contava. Não demorou muito tempo e consegui pegá-lo em DVD emprestado com um amigo, também cinéfilo, e foi então que veio a certeza: aquele era um filme fantástico, praticamente em todos os aspectos. Não só assisti a ele de outra forma, como o seu efeito sobre mim também foi diferente, ele passou a fazer mais sentido e todo seu significado se expandiu quando eu finalmente aceitei que a trama, em torno da qual o filme gira, é surpreendentemente real.


Assim como em Quem Tem Medo de Virginia Woolf (1966), neste filme, Mike Nichols buscou em uma peça teatral a base para a construção do roteiro, mas ao contrário do que observei no primeiro, neste a transição entre as linguagens se dá da forma mais harmônica possível. Os diálogos carregados de ironia e acidez funcionam perfeitamente e ajudam a definir o ritmo ensandecido do filme, que consegue entrelaçar sentimentos tão antagônicos, como o amor, o ódio, a repulsa, a admiração e o asco. O roteirista Patrick Marber adaptou a peça homônima de sua própria autoria, forjando assim uma das histórias mais reais e contundentes, no tocante a relacionamentos, que sétima arte produziu na década.


Closer começa com The Blower's Daughter de Demien Rice tocando de fundo, Alice Ayres (Natalie Portman) e Dan Woolf (Jude Law) caminham pela rua vindo de direções opostas, os cortes sutis intercalam a imagem de cada um deles andando em meio a multidão, pelos olhares percebe-se que eles já se viram, mesmo de longe. Desatenta Alice olha para o lado errado da rua antes de atravessar (ela se esquece que em Londres o trânsito flui pela mão oposta), a câmera se volta para a reação de Dan, que esboça uma expressão de susto. Uma tomara feita por cima, nos mostra Alice, que fora atropelada por um táxi, caída no meio da rua. Dan a socorre e tudo que ela consegue dizer é: “Olá estranho”. Ele a leva para o hospital e ali se inicia um relacionamento.


Um corte, um avanço no tempo, e somos levados para o estúdio de Anna Cameron (Julia Roberts), ela está fotografando Dan, que está prestes a lançar um livro, cuja a personagem principal é inspirada em Alice. Dan se sente atraído pela fotógrafa e eles se beijam, ele não consegue conter o que está sentindo. Anna se recusa a se envolver com Dan, para se vingar, ele entra em um chat de encontros sexuais usando o nome dela. Se passando pela fotógrafa, Dan seduz e marca um encontro com o dermatologista Larry Gray (Clive Owen). Larry e Anna se encontram e ela não entende nada quando ele se apresenta como o “Sultão”, desfeito o mal entendido eles descobrem algumas afinidades e ali se inicia um outro relacionamento.


Achei interessante descrever a trivialidade que marca o início do envolvimento entre os personagens, pois ela marca não só o nascimento mais todo o processo de construção das relações entre eles. Closer é quase um raio x dos relacionamentos pós-modernos, pois ilustra perfeitamente a efemeridade e a fragilidade dos laços que são criados. O que fica evidente é que cada um dos personagens quer apenas se sentir o agente dominante na relação e quando perdem o controle total que almejam, perdem também o sentido que embasa a continuidade do envolvimento. Eles também manisfestam em si a compulsividade do indivíduo contemporâneo na busca ávida por sensações e impressões, que vêem substituir o compromisso inerente à construção de um relacionamento duradouro.


Definitivamente Closer não é um filme “de amor”, esta obra magnífica vai muito além de qualquer historinha água com açúcar com final feliz. A densidade desta obra, em seus diálogos e reviravoltas, renderia ótimas análises sobre cada um temas que o longa aborda em seu roteiro, mas não pretendo adentrar em nenhuma delas, afinal este artigo se trata apenas de uma breve análise crítica da obra. Cada um dos atores que compõem o elenco estão magníficos em seus respectivos papéis. Natalie Portman foi, na ocasião do lançamento, a grande surpresa, ela está excelente em um papel bastante difícil, ainda considero uma injustiça ela não ter ganho o Oscar a que foi indicada. A trilha sonora do filme também faz jus à densidade da trama e inclui as canções Samba da Benção, Mais Feliz e Tanto Tempo, interpretadas por Bebel Gilberto. Closer é uma obra prima, que pode provocar as mais diversas reações e que, sem sombras de dúvidas, merece ser assistida. Recomendo!

Closer foi indicado aos Oscars de Melhor Ator Coadjuvante (Clive Owen) e Atriz Coadjuvante (Natalie Portman). Ganhou o Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante (Clive Owen) e Atriz Coadjuvante (Natalie Portman), tendo sido indicado a este prêmio também nas categorias de Melhor Filme, Direção e Roteiro.


Assistam ao trailer de Closer - Perto Demais no You Tube, clique AQUI !

Confiram também, aqui no SUBLIME IRREALIDADE, a resenha de
primeiro filme dirigido por Mike Nichols.

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2 comentários:

  1. Um dos melhores filmes dos ultimos tempos , inteligente e sensível e bem interpretado , uma união rara hoje em dia ...
    Seguindo seu blog , faz uma visitinha no meu se gostar , siga e comente em algum post


    http://fleonandthecity.blogspot.com/

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  2. eu tb adoro esse filme. beijos, pedrita

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