quarta-feira, 17 de abril de 2013

Oblivion

Oblivion - 2013. Dirigido por Joseph Kosinski . Escrito por Joseph Kosinski, Karl Gajdusek, Michael Arndt e Arvid Nelson. Direção de Fotografia de Claudio Miranda. Música Original de Anthony Gonzalez, M.8.3 e Joseph Trapanese. Produzido por Joseph Kosinski, Peter Chernin, Dylan Clark, Barry Levine e Duncan Henderson. Universal Pictures / USA.


Oblivion (2013) é o tipo de filme cujo bom funcionamento depende mais do espectador do que de seus atributos próprios. Tê-lo assistido sem grandes expectativas certamente foi determinante para que eu o valorizasse por aquilo que ele é, um bom filme pipoca sem grandes pretensões. Teria sido um grande equívoco esperar dele algo além de um bom entretenimento, pois, ao contrário de alguns clássicos, aos quais ele presta reverência, ele não funciona como alegoria ou metáfora de um outro contexto, nem tão pouco nos incita à reflexões sobre as temáticas que aborda. Isso pode ser um problema, mas, como eu disse, é algo que depende de cada espectador e do que ele de antemão espera encontrar.

O longa dirigido por Joseph Kosinski cumpre com relativa facilidade aquilo a que se propõe, na verdade, o fato dele não ser uma produção tão pretensiosa acaba o favorecendo, acredito que quem reconhecer isso vai apreciá-lo com uma maior facilidade, tal como eu fiz. Apesar de ter algumas reviravoltas em seu desenvolvimento, ele não é um filme difícil de ser compreendido, seu ritmo rápido e as boas cenas de ação apelam para o sensorial, o que pode ter colaborado com uma das impressões que eu tive, a de que as suas duas horas de duração passaram em um piscar de olhos. Esta sensação de fluidez é ao ver essencial em um filme onde não há tanto espaço para análises e reflexões.


Fazendo jus ao rótulo de ficção científica, o roteiro de Oblivion transita por temas manjados do gênero, como invasão alienígena, viagem no tempo, clonagem, inteligência artificial e sobrevivência em futuro pós apocalíptico. Apesar de perpassar por tantas temáticas, a trama se desenrola sem grandes problemas, amarrando de forma satisfatória o emaranhado de assuntos em seu desfecho. O que impede o filme de alcançar um patamar que o coloque acima da média das produções do gênero são a falta de novidade, a relativa previsibilidade da história e o texto, que deixa muito a desejar em diversas passagens, por não conseguir sair do lugar comum e por deixar uma impressão de que houve uma grande preocupação em simplificar ao máximo uma narrativa promissora, mas que poderia desagradar o grande público por sua potencial complexidade.


Se por um lado a simplificação travestida de complexidade pode agradar o grande público, por outro, este mesmo nicho pode estranhar alguns aspectos, como por exemplo o fato do filme tomar, em determinado ponto de seu desenvolvimento, um rumo diferente daquele que ameaçava seguir em seu primeiro ato. Novamente, depara-se com uma situação em que a expectativa do espectador é determinante, uma vez que uma impressão errada sobre a história, que pode ser provocada pelo trailer ou pela sinopse, pode por a perder aquilo de bom que o filme ainda tem a nos oferecer: o entretenimento. Portanto, faz-se necessário deixar um pequenino spoiler disfarçado de alerta: Oblivion está mais para Minority Report (2002) e Missão Impossível (1996), do que para Guerra dos Mundos (2005).


No centro da trama de Oblivion, que se desenrola no ano de 2077, está Jack (Tom Cruise), um agente americano que foi incumbido de permanecer na terra após uma guerra, contra invasores alienígenas, que devastou todo o planeta. Sua função é manter uma estrutura de produção de energia funcionando, bem como, auxiliar na manutenção de robôs programados para o extermínio de invasores. A única pessoa com quem ele ainda mantém contato é Victoria (Andrea Riseborough), sua parceira, que o ajuda em suas missões, porém sem sair da base, onde vivem sozinhos. Ambos tiveram suas memórias apagadas antes de darem início à esta missão, eles foram convencidos de esta era uma necessidade para a realização do trabalho, do qual pessoas que estão em uma estação espacial na órbita da Terra dependem para conseguirem partir para uma lua de saturno, onde o restante dos sobreviventes já se encontram. 


Jack, no entanto, é o único que questiona a realidade na qual estão inseridos, visões desconexas o ligam a um passado do qual ele não consegue se lembrar por completo, este frágil elo que ele consegue manter com as memórias que lhe foram tiradas acaba determinando alguns de seus atos na história e mudando os rumos que ela toma no decorrer do filme. Há algo não tão bem explicado na missão que o incomoda e isso potencializa as reflexões que ele faz sobre sua própria natureza (adianto que não é nada de tão profundo). Objetos, como discos e um livro, que ele encontra em meio a ruínas ajudam a aguçar sua sensibilidade, em alguns dos melhores momentos do filme ele entra em contato com elementos que o transportam para o mundo de antes da invasão, estas passagens são interessantes por retratarem sua busca interior por traços de humanidade que ele aparentemente perdeu.


Referências à clássicos da ficção científica estão presentes em todo o desenvolvimento do filme, citações diretas ou indiretas, algumas não tão perceptíveis, prestam homenagens à obras como 2001 - Uma Odisseia no Espaço (1968)Alien, o Oitavo Passageiro (1979) e Planeta dos Macacos (1968). Apesar de não soarem em nenhum momento como plágio, tais referências acabam minimizando a originalidade de Oblivion, por nos lembrarem de que tudo aquilo que vemos nele não é novo, tratando-se apenas de uma reciclagem de fórmulas que outrora renderam obras de qualidade infinitamente superior à dele. Mas ainda assim tais citações constituem um aspecto interessante do filme e uma curiosidade à parte para os cinéfilos que as reconhecerão. 


As atuações não deixam a desejar, porém, também não possuem nada além do 'arroz e feijão' típico dos brokebusters. Tom Cruise, por exemplo, está bem, mas, mais uma vez o que chama a atenção é apenas a jovialidade que emana de sua figura, apesar de seus 50 anos, e não seu desempenho em si. Morgan Freeman e Melissa Leo aparecem em papéis importantes para a trama, porém destituídos de uma composição que evidencie a qualidade das interpretações que seriam capazes de oferecer. A fotografia dirigida pelo oscarizado Claudio Miranda é bem realizada, ela salienta bem a falta de vida no que sobrou do planeta e o isolamento do protagonista no primeiro ato do filme, mas, ela também não apresenta nada de tão extraordinário. Os efeitos visuais são bons o suficiente para nos convencer do realismo daquilo que vemos na tela, mas são só uma bonita embalagem para um conteúdo de atrativos parcos. 


Oblivion não é nem de longe um filme irrepreensível, como eu disse acima, ele possui problemas que o prejudicam e suas qualidades não são o suficiente para torná-lo uma obra digna de elogios tão calorosos. Todavia, ele funciona bem como um filme de aventura, daqueles superficiais e facilmente esquecíveis, mas que conseguem ao menos nos oferecer bons momentos de diversão e escapismo. Para aqueles acostumados a desligarem seus cérebros diante da tela (às vezes isso é necessário) certamente o longa de Joseph Kosinski será uma boa pedida, já os que repudiam este tipo de filme devem passar o mais longe possível dele... Eu o recomendo para os primeiros! 



Assista ao trailer de Oblivion no You Tube, clique AQUI !

A revelação das passagens aqui comentadas não compromete a apreciação da obra.

3 comentários:

  1. Embora esse tipo de filme nos deixe de boca aberta com seus efeitos,não gosto do gênero!Mas a sua resenha está ótima,muito bem explicada,um texto bem legal!



    abraços Bruno!

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  2. Tem todo o estilo de uma boa diversão passageira.

    Abraço

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  3. Bruno, eu AMO ler as suas resenhas, sempre muito bem elaboradas! Mas, meu querido amigo, eu não consigo gostar de filmes 'futuristas'. A ironia disso, é que vejo todos eles, tipo: Allien, Star Wars, Minority Report, Guerra dos Mundos, Missão Impossível, e etc.., e sempre fico na expectativa de que algum deles realmente me deixe emocionada, mas, o máximo que consigo é o êxtase dos seus efeitos especiais, e só.., rs rs. Não vou fazer nenhum esforço para ver Obvlion (eu acho..)! Vou deixar acontecer naturalmente, através da tv aberta.., sei lá.. rs rs!
    Beijos friend!

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