sexta-feira, 30 de maio de 2008

TARDE DE DOMINGO


Naquele dia, após um raro momento de descanso, tão levemente me sentia despertar, alguns raios de sol adentravam a janela, já poucos o que denotava um final de tarde. Uma leve brisa soprava sobre mim. Tudo isso me trazia de volta uma já esquecida sensação de paz, tão perdida a cada nova alvorada.

Vários sons em tom de calmaria pareciam me hipnotizar, o som da liberdade, do amor, tão puro na voz de uma criança, tudo seguia tão bem numa perfeita harmonia. Sentia-me tão bem, em uma infinita paz comigo mesmo.

Fazia parte de um universo imenso, com tantas possibilidades, uma força descomunal brotava de meu interior. E mais uma vez senti o frio soprar da brisa que invadia o quarto, a casa a rua, o mundo talvez... a brisa que antes correra o infinito, pra ela sem fronteiras, um mundo de paz e liberdade.

Respirei fundo e tomei força pra me levantar, mas antes senti mais antes senti mais uma vez o sabor da liberdade pura como ela é, nos sons, nas formas, nas sensações. Após levantar o pequeno mundo desabou. Tão superficial e passageiro quanto tinha sido a doce sensação de harmonia, foi a angústia de me deparar com uma típica tarde de domingo.

Voltando a realidade tinha força e inspiração para lutar por um sonho, um sonho que me dava razão de viver...

(Texto escrito em 2005, publicado no punk-zine ROTTEN, do amigo Leandro Cavalcante de Terra Rica/PR.)

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