sábado, 18 de agosto de 2012

Bonequinha de Luxo

Bonequinha de Luxo (Breakfast at Tiffany's) - 1961. Dirigido por Blake Edwards. Escrito por George Axelrod, baseado na obra literária de Truman Capote. Direção de Fotografia de Franz Planer e Philip H. Lathrop. Trilha Sonora Original de Henry Mancini. Produzido por Martin Jurow e Richard Shepherd. Jurow-Shepherd / EUA.


Alguns filmes se tornam clássicos pelas suas incursões dramáticas em territórios até então pouco visitados, outros pela inovação ou pelo experimentalismo técnico. Estes acabam de alguma forma marcando a produção cinematográfica de suas épocas e influenciando direta ou indiretamente aquilo que viria a ser produzido a partir de então. Bonequinha de Luxo (1961) se tornou um clássico sem se enquadrar em nenhuma destas duas categorias, sua trama chega a parecer inocente de tão despretensiosa e tecnicamente ele não traz nada de novo, todavia ele conseguiu se tornar um marco do período em que foi lançado e ainda quebrar a barreira do tempo, ao permanecer quase imaculado depois de passadas cinco décadas de seu lançamento.

Atribuo tal longevidade principalmente à presença de Audrey Hepburn, ela está radiante e não é exagero nenhum dizer que o filme é dela. A atriz está absurdamente cativante na pele de uma personagem que carrega consigo quase todo o encanto que emana do longa. Bonequinha de Luxo traz em sua história alguns elementos que se tornariam emblemáticos durante o restante da década de 60, dentre eles o desapego, o amor livre e a libertação sexual. Estes temas são tocados apenas de um forma superficial pelo roteiro, o que é uma evidente influência da época em que o filme foi lançado, na qual o conservadorismo ainda impunha limites à abordagem de determinados assuntos.


A personagem central do filme é Holly Golightly (Audrey Hepburn), uma garota que tenta a qualquer custo fisgar um homem rico e se tornar uma atriz de cinema, ela prega o desapego e seu único amigo é um gato, a quem ela se recusa a dar um nome. Suas convicções sobre os relacionamentos são postas em cheque a partir do momento que ela conhece o escritor Paul Varjak (George Peppard), que se muda para um apartamento vizinho ao dela. 

Paul vive às custas de uma amante, uma decoradora de interiores, que o sustenta enquanto ele tenta escrever seu primeiro romance. Holly e Paul acabam se conhecendo meio que por acaso e logo se tornam bons amigos. Ele no entanto sente algo mais forte por ela, mas quanto mais eles se aproximam, mais ele percebe o quanto ela é complicada e problemática, o que não ficara tão evidente no primeiro encontro. 


Mesmo tendo um comportamento na maior parte das vezes repreensível, Holly é uma personagem extremamente cativante, o que faz com que nos rendamos tão facilmente aos seus encantos, nos tornando assim incapazes de culpá-la por aquilo que ela faz. A inocência e a ingenuidade que lhe caracterizam provam que ela não é má, mas apenas alguém que não sabe o que quer e que é imatura demais para medir as consequências de suas ações. Suas atitudes se tornam mais compreensíveis para nós à medida que a conhecemos melhor e compreendemos a origem de seu drama


A Audrey Hepburn consegue, numa de suas melhores interpretações, dar credibilidade ao drama e aos momentos de felicidade vividos por Holly, ela consegue provar que o que tornou sua personagem um dos símbolos de uma época e uma das figuras mais lembradas do cinema, não foi tão somente sua beleza, mas também sua excelente atuação. 

George Peppard está bem, apesar de não ter o mesmo carisma de Audrey, ele consegue com seu desempenho criar um bom contraponto para a personagem dela, emprestando a Paul uma postura compassiva, quase paternal. O elenco secundário também é bom e muito bem utilizado, principalmente nas sequências de viés cômico. Na parte técnica, o destaque fica por conta da excelente trilha sonora composta por Henry Mancini, que é tão bela e singela quanto o próprio filme.


Bonequinha de Luxo transita pelo drama e pela comédia, mas sem jamais perder a leveza e é isso que o torna um filme tão delicioso de ser assistido, uma obra que encanta e comove pela simplicidade e pela delicadeza com que toca em temas bastante complexos, realmente uma clássico atemporal. Ultra recomendado!


Bonequinha de Luxo ganhou o Oscar nas categorias de Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Canção (Moon River) e recebeu indicações também aos prêmios de Melhor Atriz (Audrey Hepburn), Roteiro Adaptado e Direção de Arte. No Globo de Ouro, ele recebeu indicações nas categorias de Melhor Filme de Comédia ou Musical e Atriz em Comédia ou Musical (Audrey Hepburn).

Assistam ao trailer de Bonequinha de Luxo no You Tube, clique AQUI !

A revelação das passagens aqui comentadas não compromete a apreciação da obra,

Confiram também, aqui no Sublime Irrealidade, a crítica de  Um Convidado Bem Trapalhão (1968), também dirigido por Blake Edwards!

36 comentários:

  1. Acho que Bonequinha de Luxo é uma combinação de bons talentos: a história original de Truman Capote, a direção classuda de Blake Edwards, a trilha sonora sensível de Henry Mancini e a atuação cativante de Audrey Hepburn.
    Isso tudo faz desse filme não só uma das melhores comédias românticas do cinema, mas também um de seus filmes mais clássicos, como vc mesmo disse. Parabéns novamente pelo texto.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado Vinícios!
      Concordo com o que você disse sobre a combinação de bons talentos!

      Excluir
  2. Como o Vinicius disse, Bonequinha é mesmo uma união de vários aspectos positivos!
    O filme tem história, e muita muita graça, oferecida por Hepburn.
    Filme apaixonante!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Realmente, não tem como ficar indiferente à ele, principalmente com a Audrey em cena!

      Excluir
  3. Dizem q o texto do Capote é denso e pesado, tanto q a personagem de Holly é uma prostituta no livro, o q contrasta com o filme, super leve e divertido. Bonequinha de Luxo é um bom exemplo de q nem sempre se precisa ser fiel ao original para ser bom. Abração.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Algo que sempre afirmei e defendi. Preferi não adentrar na questão da fidelidade ao livro, porque ainda não o li, mas em se tratando do Capote, acho que não dava para esperar algo tão leve, quanto aquilo que vemos no filme...

      Excluir
  4. Esse filme faz parte de minha humilde DVDteca, Bruninho... belíssimo clássico!!!

    bjks JoicySorciere => CLIQUE => Blog Umas e outras...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Já faz parte da minha também, comprei ele recentemente Joicy!

      Excluir
  5. Concordo totalmente com o seu texto e também com coméntário do Celo, acima: nem sempre ser fiel é necessário para um bom resultado. Se no livro, a discussão é deveras densas - não apenas explicitamente prostituta, mas também bissexual -, o filme apresenta uma vertente mais leve e, nem por menos, menos emblemática. A meu ver, uma grande obra.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sem dúvidas Luís.
      Estou curioso para ler o livro, para conferir até que ponto ele se distancia do filme...

      Excluir
  6. Oi Bruno
    Mais uma bela resenha sobre filme que nos dá uma super vontade de assistir, eu sei que esse filme é um clássico, mas nunca assisti, só se eu pedir para a Joicy me emprestar kkkkkkkk, ou quando ver para vender,já está na minha lista.
    Bjão. Fique com Deus!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Você certamente encontrará ele baratinho Luciana!
      Fique com Deus também!

      Excluir
  7. Bonequinha de Luxo é um clássico.Audrey Hepburn fez um brilhante trabalho,e calou a boca de muitos críticos que contestavam a sua escolha para o papel de Holly.
    A resenha ficou ótima...Abraço!

    Bruno
    http://oexploradorcultural.blogspot.com

    ResponderExcluir
  8. Não assisti a esse filme... ainda. Depois de ler sua resenha, está com certeza na minha lista XD
    Gosto de filmes assim, onde as 'barreiras' da personagem vão caindo e ela descobre coisas que antes se negava a aceitar.
    Grande Abraço

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Estou certo de que você irá gostar deste Mateus!

      Excluir
  9. Acredito que a trilha de Henry Mancini, com destaque para Moon River, a direção de Blake Edwards e principalmente o carisma e o talento de audrey tenham sido os principais fatores que tornaram o filme tão inesquecível. Se ele fosse protagonizado por Marilyn, como queria o escritor Truman Capote, acredito que continuaria marcante, mas Audrey acrescentou uma leveza inigualável.
    Abraços!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Também acho que com a Marilyn no papel principal o filme continuaria marcante, mas talvez os atrativos dele fosse outros, bem diferentes da leveza conferia pela atuação da Audrey.

      Excluir
  10. Bruninho,
    tudo bem?
    Excelente resenha! Concordo com tudo.
    Apenas destacaria um pouco mais a direção de Blake Edwards, um dos grandes nomes da comédia, sem dúvida alguma. Já assistiu a 'The Party' (Um convidado bem trapalhão), com Peter Sellers - um dos filmes da minha vida.
    E aqui em Bonequinha de Luxo ele mostra porque era um grande diretor. Para não me alongar, vou citar apenas a cena da festa, bem Edwards, pois ele tinha verdadeira maestria em dirigir cenas coletivas, e também a característica de duas ou mais ações, uma em primeira plano e as outras em fundo de plano, mas tudo acontecendo ao mesmo tempo, revolucionário para a época, e creio, ainda hoje, difícil de ser executado.

    E Mancini...!!! Sem palavras! Sou fã também.
    E a Audrey, sem mais o que dizer :)

    Beijos e ótima semana!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é Cissa não ter destacado o trabalho do Blake Edwards foi mesmo uma falha, apesar de eu ainda achar que alma do filme está na atuação da Audrey Hepburn, a direção teve um papel crucial, principalmente na manutenção da leveza.

      Excluir
  11. Concordo quando diz que Hepburn é o filme. Acredito que a imortalidade do filme diga muito mais respeito à beleza, ao carisma e à inteligência de sua atriz principal do que propriamente às suas qualidades narrativas/técnicas. Ainda assim, preciso confessar que assisti-lo é de um prazer imenso. Belo texto, José!

    ResponderExcluir
  12. "Teatro" está por último e com letras menores, mas vc bem que podia vir a Niterói em dezembro assistir a peça da qual vou participar e depois escrever uma dessas suas ótimas resenhas. O que acha? A peça se chama "Sonho de uma Noite de Verão" (Shakespeare) e será apresentada em um teatro aqui de Niterói dos dias 08 e 15 de dezembro. Está convidadíssimo! Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Poxa, estou me sentindo honrado pelo convite Luiza, tentarei fazer o possível para ir, só já não lhe dou certeza por causa dos compromissos de trabalho, mas já estou torcendo para que deia tudo certo. E tenho certeza que será ótimo, eu já conheço o texto da peça e estou curioso para conferir sua atuação! Beijos!!!

      Excluir
  13. Oii Bruno se é u m filme delicioso de ser assistido, valeu a dica, já tinha ouvido falar no titulo mas não conhecia a sinopse! Abraçooosss

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ele vale muito a pena ser assistido Kellen e eu recomendo, é um filme delicioso!

      Excluir
  14. excelente texto, escolha de filme, atriz...
    Parabens!!!
    obs.: o que mais gosto no filme?
    O Gatinho!
    :D

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O gatinho está presente em uma das sequências mais bonitas do filme...

      Excluir
  15. Esse é um dos meus filmes prediletos (claro estrelado pela diva Hepburn <3). Adorei seu blog, tem bastante informação. Gostei da sua resenha sobre o Pulp Fiction, sou grande fã do Tarantino.
    Abraços.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Seja bem vinda Iza, fico feliz que tenha gostado e vai ser um prazer vê-la por aqui mais vezes, seja sempre bem vinda!

      Excluir
  16. Bruno, acredita que ainda não consegui ver este filme?? estou louco para assistir! Abraços ;)

    http://monteolimpoblog.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  17. Olá,José Bruno.
    Ainda não assisti a esse clássico, só sei que ele é de uma simplicidade e simpatia admiráveis.
    Abraço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Você precisa assistir Jacques, estou certo de que você será cativado por ele!

      Excluir
  18. O tipo de filme que não dá para assistir só uma vez!
    A Audrey está adoravelmente equivocada... Não tem como não ser fisgado! Fora que toda aquela temática polêmica está ali, mesmo que bem disfarçada.

    ;D

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, é verdade Karla, e este é um dos pontos mais legais do roteiro, ele consegue transitar por estes temas polêmicos sem perder a leveza.

      Excluir