domingo, 5 de junho de 2011

Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo Mas Tinha Medo de Perguntar

Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo Mas Tinha Medo de Perguntar (Every Thing You Always Wanted to Know About Sex * But Were Afraid to Ask) - 1972. Dirigido e escrito por Woody Allen, inspirado pelo livro homônimo de David Reuben. Direção de Fotografia de David M. Walsh. Música de Mundell Lowe. Produzido por Charles H. Joffe. MGM Home Entertainment / EUA.


Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo Mas Tinha Medo de Perguntar (1972) faz parte da primeira fase de Woody, marcada por um senso de humor primitivo e ao mesmo tempo inteligente e sofisticado. O estilo de fazer comédia desta primeira fase de Woody lembra bastante o estilo do grupo inglês Monty Python, que teve grande influências em humorísticos brasileiros como Casseta e Planeta e TV Pirata, este estilo é construído sobre situações absurdas e tramas anárquicas, que disparam farpas na direção do conservadorismo da sociedade e de suas instituições. Confesso que os filmes desta fase chegam a me parecer menores, quando os comparo com outras produções mais sérias do realizador. No entanto, sei que seria de fato um pecado quase imperdoável comparar Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo com clássicos como Interiores (1978), Manhattan (1978) e Crimes e Pecados (1989).

Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo é baseado no livro homônimo de David Reuben, que trazia alguns esclarecimentos, um tanto polêmicos para a época, sobre a sexualidade. O que Woody fez ao “adaptar” a obra, foi montar situações que ilustrassem alguns dos capítulos do livro, resultando em 7 sketches, independentes entre si, que abordam de forma ousada temas que vão desde a frigidez à ejaculação e a sodomia. Na primeira sketche, Os afrodisíacos funcionam?, Woody Allen é um um bobo da corte que nutre um ardente desejo pela rainha, aconselhado pelo fantasma do pai, ele a dá uma poção do amor preparada por um feiticeiro. O afrodisíaco funciona, mas seus planos podem ser frustrados por um cinto de castidade que ela usa.


Em O que é sodomia?, um médico renomado é procurado por um paciente armeno, que relata seu grande problema, ele é pastor e se apaixonou por uma de suas ovelhas, o médico acha a situação absurda e considera seu paciente doentio e repulsivo, mas sua opinião muda completamente quando ele conhecer a ovelha. Em Por que algumas mulheres tem problemas de orgasmo? (uma verdadeira homenagem de Woody ao cinema italiano), um homem não consegue provocar o prazer em sua esposa, ele acredita que ela é frigida até descobrir seu fetiche por transas em lugares movimentados. Os travestis são homossexuais?, a quarta sketche, conta o drama de um homem casado que adora vestir roupas femininas em segredo, ele se mete em uma situação bem embaraçosa ao ser descoberto pela família e pela sociedade.


Em O que são perversões sexuais?, um programa de televisão explora as taras e fantasias sexuais dos participantes. Esta sequência é toda fotografada em preto e branco, simulando a imagem de televisores antigos. A próxima parte, Os experimentos e as pesquisas sobre sexo feitas pelos cientistas médicos são válidas?, faz referência à história de Frankenstein e lembra a trama de The Rocky Horror Picture Show (1975), nesta sketche dois jovens, um pesquisador e uma repórter vão para um castelo de um cientista louco que estuda a sexualidade, lá eles são surpreendidos pelas teorias improváveis do cientistas e pelos seus experimentos, dentre eles um peito gigante, que os ataca e começa a destruir a cidade.


Na última parte, O que acontece durante a ejaculação?, nos deparamos com a mais bizarra alegoria do ato sexual: o corpo masculino é mostrado como um máquina controlada pelas diversas partes de sua anatomia (numa paródia que lembra filmes de viagens espaciais), que batalham pelo objetivo de chegar ao orgasmo. A luta para alcançar um bom grau de ereção e os espermatozoides, que questionam o que pode ter do outro lado, são hilários. Esta última é sem dúvidas a melhor dentre as 7 partes do filme. O filme se encerra com a mesma cena inicial, que mostra uma ninhada enorme coelhos, deixando bem claro que o comportamento sexual é tão instintivo nos homens, quanto nos animais e que dificilmente pode ser explicado e compreendido como uma ciência exata. 


Mesmo não sendo um dos melhores filmes de Woody Allen, Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo merece ser assistido. A ousadia e o absurdo do filme pode nos surpreender e arrancar boas risadas. Definitivamente não é um filme família e pode não agradar a todos. As referências presentes no roteiro, que vão de Shakespeare ao clássico E o Vento Levou (1939), podem não ser compreendidas facilmente e outros, num rompante de moralismo, podem achar tudo pervertido demais. No entanto a avaliação que faço é a de que se trata de um bom filme, regular em se tratando de Woody Allen, mas ainda assim uma grande comédia, com direito à trilha sonora jazzística e questionamentos morais e filosóficos. 


Assista ao trailer de Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo Mas Tinha Medo de Perguntar  no You Tube, clique AQUI !

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