quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Cavalo de Guerra

Cavalo de Guerra (War Horse) - 2011. Dirigido por Steven Spielberg. Escrito por Lee Hall e Richard Curtis, baseado na obra de Michael Morpurgo. Direção de Fotografia de Janusz Kaminski. Música Original de John Williams. Produzido por Steven Spielberg e Kathleen Kennedy. DreamWorks SKG e Reliance Entertainment / EUA.


Cavalo de Guerra (2011) é o filme mais fajuto de Spielberg desde..., bem desde Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (2008), seu último trabalho como diretor. Certamente eu teria o considerado uma obra prima se tivesse o visto quando eu ainda era uma criança, contudo presumo que hoje meu senso crítico esteja ao menos um pouquinho mais aguçado, o que torna quase impossível a digestão de algo tão medíocre em quase todos os aspectos. Tenho um sério problema com obras que têm animas como protagonistas e sem dúvidas este foi  um dos fatores que afetaram negativamente minha apreciação desta película, contudo dos desacertos do filme este é o menor. Cavalo de Guerra só não é um verdadeiro desastre, pois John Williams e Janusz Kaminski estavam lá para salvá-lo, mas toda a beleza conferida pela trilha sonora e pela fotografia parece ter sido desperdiçada ao ser associada a um roteiro tão fraco e tão apelativo.

O belo visual funciona como um disfarce, que traveste o filme de clássico (prestem atenção nas referências visuais a ...E o Vento Levou (1940) e outras obras dos anos 40), no entanto o espetáculo proporcionado pelas imagens não consegue esconder a superficialidade da trama e seu excessivo apelo emocional. O longa se vale de alguns dos clichês mais batidos para nos sensibilizar e isso se torna um incômodo já nos seus primeiros minutos de duração. Felizmente eu permaneci imune à esta canastrice de Spielberg, comigo a indução às lágrimas não funcionou. Perdoem minha insensibilidade, mas eu não consigo me emocionar com sequências do tipo daquela na qual um garoto (o protagonista) coloca um cabresto no cavalo, para em seguida força-lo a trabalhar até a exaustão. Se tiver uma emoção que uma cena de um homem explorando um animal me desperta, esta é tão somente a raiva. E foi raiva e repúdio e não comoção, aquilo que senti em quase todas as sequências de Cavalo de Guerra.


O longa subestima a nossa inteligência com a desculpa de estar prestando uma homenagem a algumas produções dos anos 40, cujas tramas eram simplórias e infantilizadas, o problema é que tal homenagem não fica tão aparente e o que sobre é apenas uma sequência ininterrupta de cenas de superação ou de despedidas, que parecem querer extrair o choro do espectador a qualquer preço. Ao contrário do que aqueles que ainda não viram o filme podem imaginar, isso não acontece só no final da história e é justamente por isso que tal aspecto se torna um excesso. Cavalo de Guerra parece estar preso à "síndrome dos últimos minutos", pois a sensação é a de que o filme irá acabar a qualquer momento, tamanha apelação dramática. O artifício de usar um clímax atrás do outro definitivamente não funciona e prejudica todo o desenrolar da trama, que poderia ter sido bem melhor se não tivesse uma proposta tão mesquinha.


A história gira em torno de Joey, o cavalo ao qual o título se refere, e de Albert (Jeremy Irvine), um de seus donos. A trama folhetinesca começa a ser desenrolada ainda no nascimento do equino, que logo é separado de sua mãe para em seguida ser levado a leilão. Quase que por impulso, o pai de Albert que estava bêbado, acaba comprando o animal por uma grande quantia em dinheiro, o que deixa sua família financeiramente em maus lençóis. Após alguns clímaces e reviravoltas (ainda estamos no primeiro ato), o cavalo acaba sendo vendido para o exército inglês e levado para a guerra, a partir daí o que se segue é uma série de capítulos que mostram a tentativa de sobrevivência do animal durante o conflito e a jornada de seu dono para trazê-lo de volta...


Certamente este filme será ovacionado pelo público médio, o mesmo que detestou A Árvore da Vida (2011), Melancolia (2011) e O Espião que Sabia Demais (2011). A diferença crucial entre ele e tais obras é simples, enquanto estes exigem reflexão e contemplação artística, Cavalo de Guerra só exige que o nosso cérebro esteja desligado. Spielberg, em um dos momentos mais vergonhosos de sua carreira, nos conduz a um show de sentimentalismo barato e superficial, ele, que manteve durante muito tempo a fama de manipulador das emoções, pisou em falso e derrapou feio, a alcunha que consegue com este filme é apenas a de pretensioso. Cavalo de Guerra está mais para filmes infantis típicos da Sessão da Tarde, como A Incrível Jornada (1993), do que para obras de excelência dramática de Spielberg como A Cor Púrpura (1985)A Lista de Schindler (1993)Amistad (1998). Não tenho dúvidas de que o filme irá agradar muita gente, porém a mim ele não cativou. Diante de toda espetacularização, os únicos aspectos que se sobressaem são os técnicos: fotografia, trilha sonora, figurinos e direção de arte. Algumas poucas sequências até são memoráveis, mas funcionariam bem melhor se estivessem em um dos filmes animados da Disney de outrora... 


Cavalo de Guerra está indicado aos Oscars de Melhor Filme, Trilha Sonora Original, Fotografia, Direção de Arte, Edição de Som e Mixagem de Som. No Globo de Ouro o filme recebeu indicações nas categorias de Melhor Filme - Drama e Trilha Sonora.

Assistam ao trailer de   Cavalo de Guerra  no You Tube, clique AQUI !


27 comentários:

  1. Eu admiro muito o spilbert pelo De volta para o futuro. Mas não sou muito fã dos filmes dele por causa do abuso de efeitos. Na real eu que não sou muito fã de filmes cheios de efeitos especiais e tal.

    Muito massa a honestidade, também não me atraí filmes onde animais são protagonistas.

    Abss!

    ----
    Site Oficial: JimCarbonera.com
    Rascunhos: PalavraVadia.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Jim!
      "De Volta Para o Futuro" não é do Spielberg, é do Robert Zemeckis, mas eu concordo com o que você disse, os meus filmes favoritos dele são aqueles nos quais não há este abuso de efeitos especiais, são raríssimos os casos em que a espetacularização técnica não serve apenas para esconder uma trama ruim...

      Excluir
  2. Alguns críticos disseram que o filme é muito lento, mas o fato de ser sentimental não me afasta. Gosto dos sentimentos, mesmo os mais exagerados.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Então acho que você vai gostar do filme Gilberto, porquê lento ele não é, o desenvolvimento dele é bem ágil, como eu disse são clímaces sequentes da primeira à última cena... Eu gosto dos sentimentos também, só não curto quando eles são superficiais e explorados de forma apelativa, como foi o caso de "Cavalo de Guerra"...

      Excluir
  3. Ainda não vi este filme... e nem está entre minha prioridades, já vi críticas que gostaram e outras que não... acho que tem cara de sessão pipoca!

    ;D

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sem dúvidas é sessão pipoca Karla, acho que ele até vale a pena ser visto pela parte técnica que é muito bonita, no entanto com tantos filmes legais sendo lançados eu concordo que ele não deva ser uma prioridade...

      Excluir
  4. Nossa...rs. Sabe q sou bem sincero em relação aos meus sentimentos qt a filmes e nesse tenho q dizer q é exagerada sua indicação para um oscar de melhor filme, mas até q gosto como filme. Esses filmes piegas exagerados me cativam, acho q talvez por remontar a minha infância, dos filmes q cresci vendo. Enfim, não é grande coisa, mas até vale uma conferida. Abs!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É como eu disse, acho que se eu o tivesse visto quando ainda era uma criança, ele hoje seria uma clássico para mim. Para este público acho que ele até deve funcionar bem. Concordo que a indicação ao Oscar de Melhor Filme foi exagerada...

      Excluir
  5. E aí Bruno. Eu sou fã do Spielberg desde ET, foi o segundo filme que eu vi no cinema, me marcou muito, eu tinha oito anos. Pelo trailer eu achei este filme meio parado, e agora com a sua crítica não sei se quero assisti-lo, depois que vc massacrou o filme (kkkkkkk), está comparado a uma sessão da tarde! Enfim, vc é o cara do cinema, eu não manjo nada, seu eu falar do meu gosto, vc com certeza vai rir muito. É sempre bom aprender um pouco mais. Bjos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu também gosto muito de diversas obras do Spielberg, algumas eu considero verdadeiras obras primas, confesso ainda que estou hiper curioso para ver "As Aventuras de Tintim"... Mas "Cavalo de Guerra" me decepcionou e muito, como disse em uma das respostas acima, ele deve ser visto pela beleza de suas imagens e pelo conjunto da parte técnica. Apesar da longa duração ele não é lento... o grande problema e o roteiro previsível e cheio de clichês, que parece querer nos fazer chorar a qualquer custo...

      Excluir
  6. Oi Bruno... sabe, eu gosto muito do Spielber. Não diria que sou super fã, mas gosto. Admiro o trabalho dele e não podemos negar que ele saca da "coisa". rs... mas, esse filme(assim como alguns outros dele) não me atraíram a atenção. Confesso!

    Vc já assistiu Escafandro e a borboleta? Tá na listinha para ser visto nesse feriado... estou me preparando para uma maratona de bons filmes nesses dais de folga! A gente merece, né!?

    Se vc morasse por aqui, iríamos marcar uma sessão de cinema com direito à muita pipoca e coca cola! Ahhh que dó dessa distância!

    bjks JoicySorciere => Blog Umas e outras...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Joicy, eu também gosto muito do Spielberg, algumas de suas obras estão entre minhas favoritas, como "A Cor Púrpura" e "A Lista de Schindler", talvez tenha sido por isso que "Cavalo de Guerra" me decepcionou mais, apesar de "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal" ser um filme desnecessário e canastrão, eu gostei de tê-lo visto no cinema, por um único motivo, era um personagem com o qual nos afeiçoamos e que nos cativou, se "Cavalo de Guerra" tivesse ao menos isso, ele seria um pouco melhor...

      Excluir
  7. Que bom saber que não fui o unico a não gostar desse filme. acredito que isso é um processo de degradação. Essas tentativas futéis de tantar comover o tempo todo são um saco. Spielberg foi triste nessa ai.

    Querido é impressão minha ou não tenho te visto com tanta frequencia lá ? olha não some não que nós gostamos e precisamos de você ok ?

    Um abraço e fica com Deus !

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Victor, é bom receber o comentário de alguém que confirma a impressão que tive do filme...

      Não é impressão sua Victor, eu estava meio sumido mesmo, mas pela falta de tempo, agora que já estou conseguindo organizar melhor as coisas por causa do feriado, eu voltei, passei por lá ontem e dei uma atualizada, comentei diversos posts publicados e interagi com o pessoal...

      Excluir
  8. Não vi o filme e nem o verei. Muito boa sua colocação e crítica sobre esse filme, já ouvi sobre a superficialidade dele e a chatice do protagonista(se cachorro já é um tédio, imagine cavalo...)
    Sua honestidade me livrou de pagar uma entrada "pra raiva e perda de tempo."
    Beijokas doces

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. kkkk
      Mesmo assim Marly, é bem você vê-lo para tirar suas próprias conclusões, afinal teve bastante gente que gostou dele e minha humilde opinião não é definitiva... A beleza do visual dele até que compensa a sessão, no entanto ela não me poupou da raiva provocada pela história medíocre...

      Excluir
  9. Olha só, adoro Steven Spielberg, sou sua fan, admiro seu trabalho, mas parei de ler sua resenha quando mencionou o mal trato com os cavalos, e tals...
    Não sou vegetariana, não sou do Greenpeace, e não sou dessas pacificadoras, mas odeio o que fazem com animais de carga e tração(cavalos, bois ...etc).
    Nem vou chegar perto desse filme, e olha que poucas imagens dele tinham até me agradado, uma peninha =/
    Obrigada pela dica.

    Viviane
    Razão e Resenhas

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu também gosto muito de diversos filmes de Spielberg, apesar de suas obras não terem um peso autoral, elas compõem uma das filmografias mais invejáveis e elogiáveis de todos os tempos, mas em "cavalo de Guerra", na minha opinião, ele errou feio... O fato de o suposto amor do personagem pelo cavalo não esconder os maus tratos que ele lhe impõe, foi apenas um dos aspectos que me levaram a ter uma visão mais negativa, que positiva, do filme...

      Excluir
  10. Eu PRECISAVA voltar... já comentei acima, mas estou aqui só pra responder seu comentário lá no Umas e outras...

    J. Bruno, vc falou e disse. Não tem isso de falar coisa com coisa... entendi perfeitamente seu ponto de vista e adorei seu relato, viu!? Obrigada por partilhar conosco.

    Educar é tudo isso que seu avô e sua mãe fizeram. Alguns diriam que sua família não é "tradicionalmente constituída", eu digo que sua família é o exemplo a ser seguido por muitos familiares que se sentem perfeitos, mas no fundo são totalmente disprovidos de estrutura emocional. Agradeço à sua mãe e seu avô por terem criado esse ser tão lindo que é vc e assim me dando a oportunidade de conhecer cada dia mais e poder chamar de queridão do meu coração.

    Essa desculpa de que a falta de tempo é a grande vilã da situação é "conversa pra boi dormir"...

    bjks

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sabia que você ia concordar comigo, é natural que a vida hoje esteja mais corrida e o tempo também mais escasso, mas cada época tem seus próprios problemas e nenhum deles são desculpa para uma má educação... O seu post sobre o assunto foi excelente Joicy!

      Excluir
  11. Bruno, tudo bem, fora a correria?
    Nunca mais vi nada do Spielberg, faz um tempão, mas acho que ele está fazendo menos coisas, não?
    O cara é muito competente, mas muitas vezes abusa da "fantasia" e já não consigo achar muito legal.
    Esta aí tua dica, e mesmo que diga que é "fajuta", acaba ficando interessante pelas tuas mãos hahaha!

    Volto em março então... muito obrigada pelo comentário inteligente lá no Humoremconto! Aliás, o que não é mais novidade para mim!

    Beijos Grandes!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ele estava abraçando poucos projetos como diretor, até que no ano passado quebrou o jejum com "Cavalo de Guerra" e "As Aventuras de Tintim"... Ao que me parece ele vinha focando mais a função de produtor. Eu gosto muito da fantasia, mas quando ela é bem construída e sem apelações...

      Boas férias para ti Cecília!
      Nós, seus leitores, estaremos aguardando sua volta!
      Beijo grande!

      Excluir
  12. Minha cidade por ser pequena não recebe no cinema todos os grandes filmes lançados, geralmente chegam os mais "pipocas" possíveis e quando chegam, chegam tarde. Sei que Cavalo de Guerra fora lançado já a algum tempo inclusive na cidade vizinha (Maringá) já esta em cartaz a tempos mas ainda não pude vê-lo. Não posso falar nada portanto sobre ele pois ainda não o vi mas adianto que estou louco para ver. Se tratando de Spielberg o ingresso já vale a pena. Obviamente que não podemos massacrar um diretor por uma vez ou outra nos trazer filmes menores. Acho que o diretor já nos presenteou com tantas obras primas que ele se dá ao luxo de "brincar" com filmes menores. Penso que em meio a tanta porcaria como é feito hoje, onde os efeitos especiais são os verdadeiros artistas de um filme, é bom de vez em quando surgir um filme meloso e sentimental, garanto que é bem melhor isso do que ficar sentado numa poltrona vendo carros se transformarem em robôs, ou perseguições com direito a voadoras e balas saindo de tudo quanto é revolver sem atingir ninguém, esse tipo de filme sim é para pessoas sem cérebro.... mas enfim, vou ver o filme e voltar a ler seu texto...

    Abração

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. De fato se formos comparar com tantas outras obras que têm sido lançadas, "Cavalo de Guerra" até se torna um pouquinho menos fraco. O problema dele é que sua proposta não era a de ser um filme menor na filmografia do diretor, ele é pretensioso e se esconde por trás de uma pseudo homenagem a filmes de uma determinada época para camuflar sua trama capenga... A minha conclusão é a de que ele não está assim tão distante de "Transformers", por exemplo, afinal ambos filmes em que a qualidade dos efeitos especiais não condiz com a qualidade da história contada... O que parecia a tentativa de fazer um épico acabou se tornando uma história fragmentada em pequenos episódios, cada um com seu clímax, este tipo de montagem, apesar de tornar o desenvolvimento do filme ágil, não o livra de se tornar cansativo em pouco tempo...

      Excluir
  13. Muito bom o seu texto. Me senti assim também... Se eu fosse uma criança, poderia até me identificar com o drama pessoal de um cavalo. Mas não deu. O filme do Spielberg fede! E nem a trilha do John Williams, pra mim, salvou. Só contribui para a manipulação exagerada e óbvia. Uma pena que o Spielberg tenha derrapado aqui. Em compensação, Tintim é uma maravilha!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Estou curioso de mais para conferir "Tintim", mas concordo com você "Cavalo de Guerra" fede a estrume...

      Excluir
  14. Tem razão amigo; este filme explora demais a sensibilidade humana para os sentimentos;colocando momentos clímax demais em um enredo fraco e clichê (tipico filme da sessão da tarde)...Spielberg é um ótimo diretor mas este filme nunca chegará perto do grande RESGATE DO SOLDADO RYAN, uma verdadeira Obra-Prima

    ResponderExcluir