segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A Fita Branca

A Fita Branca (Das weiße Band - Eine deutsche Kindergeschichte) - 2009. Escrito e Dirigido por Michael Haneke. Direção de Fotografia de Christian Berger. Produzido por Stefan Arndt, Veit Heiduschka, Michael Katz e Andrea Occhipinti. X-Filme Creative Pool, Wega Film, Les Films du Losange e Lucky Red / Alemanha | Austria | França | Itália.


O holocausto promovido pela Alemanha nazista nos assusta e nos intriga até hoje, durante muito tempo eu me perguntava como a população do país pode ser conivente com tal barbárie, em minha busca por respostas encontrei apenas hipóteses. Uma delas, bem aceita por muitos, diz que a alemães não tinha pleno conhecimento do que acontecia nos campos de concentração, outra diz respeito ao poder da comunicação de massa, explorada por Joseph Goebbels (o Ministro da Propaganda de Hitler), que segundo dizem teria manipulado e persuadido o povo. Ainda que uma dentre estas teorias fosse verdadeira, ou ainda que ambas fossem complementares, seríamos incapazes de encontrar, tão somente nelas, algo que explicasse a relativa facilidade com que a maioria da população "comprou" as idéias propagadas pelo Terceiro Reich... A Alemanha fora arrasada pela primeira grande guerra e após o final do conflito sua política e economia experimentavam uma das maiores crises desde a unificação tardia do país, o povo estava sem esperança e é neste contexto que surge a figura de Hitler, que passa a representar para a população mais do que um salvador, ele se torna um semideus, um escolhido para tirar o país da lama... Até aqui não é tão difícil de compreender, tal situação já se repetiu outras vezes na história de muitos outros países, o que fica complicado de entender é como o povo acatou a ideia da supremacia ariana e a rigidez de um sistema de governo ditatorial e repressivo.

A Fita Branca (2009), de Michael Haneke, tenta através de sua trama apontar alguns dos fatos sociais que serviram de base para a edificação de toda a ideologia nazista (incluindo a intolerância e a supressão dos direitos individuais) e para sua posterior aceitação pelas massas. Para tal, o filme retorna ao ano de 1913, um período em que boa parte daqueles que viriam a colaborar com a edificação do governo de Hitler ainda eram crianças. A pequena vila, onde a trama se desenvolve, funciona como um microcosmo da Alemanha às vésperas da primeira guerra mundial. No filme tudo é simbólico, desde a fotografia em preto e branco, que ressalta a frieza e o distanciamento das pessoas, até os elementos cênicos e a relação entre os personagens. Não é por acaso que o foco da narrativa está nas crianças do local, afinal o que se procura ali são sementes para algo que viria a acontecer mais de 20 anos mais tarde, época em que aqueles meninos já adultos vivenciariam a ascensão do Führer ao poder e a implantação de seu regime. Haneke nos propõe a seguinte questão: Existiria de fato algo naquele microcosmo que pudesse explicar a consciência coletiva da Alemanha no período do holocausto? Na história, o personagem narrador acredita que sim...


Os eventos que se passaram ali, naquele vilarejo, no início do século, são de extrema importância para se compreender os eventos dramáticos que aconteceriam na Alemanha, décadas depois...

Na trama, que é narrada por um jovem professor (Christian Friedel), uma sequência de acontecimentos estranhos começou quando o médico local sofreu um grave acidente enquanto cavalgava, seu cavalo tropeçou em um arame alçado entre duas árvores. Dias depois a esposa de um agricultor morreu após um grave acidente de trabalho. Não demora e começam surgir especulações na vila acerca dos fatos, que conforme tudo indica teriam sido criminosos, mas o tempo passa e ambos os acidentes são praticamente esquecidos. Algum tempo depois o filho de Barão desaparece, um grupo de busca o encontra no meio de uma floresta durante a noite, ele fora violentado. Outras coisas estranhas continuam acontecendo, a apreensão e a desconfiança se espalham por toda a localidade, a harmonia é então quebrada, dando lugar ao temor generalizado. Diante de tais ameaças ninguém consegue mais pensar direito, afinal o culpado pelos crimes pode ser qualquer um e estar mais perto do que se imagina... Tal como em Caché (2005), neste filme Haneke direciona o foco narrativo não para o mistério dos acontecimentos, mas para as suas conseqüências.


Através das relações entre os personagens, vão ficando cada vez mais evidentes os fatos sociais que o cineasta aponta como sendo os possíveis fundamentos do nazismo. O diretor sabe que a família é a alegoria perfeita para se analisar a sociedade como um todo e é justamente para dentro dos lares que a câmera de A Fita Branca é guiada. Aquela era uma sociedade patriarcal, sustentada por um rígido código moral e por rigorosos princípios religiosos. As crianças são as principais vítimas de tal repressão, que se manifesta na forma de imposição de restrições ou até mesmo na prática da violência. A repressão nasce das diferenças entre classes, da intolerância e até mesmo da prática religiosa. A fita branca, à qual o título do filme se refere, é usada pelo pastor local como forma de lembrar aos seus filhos dos pecados que eles cometeram e do padrão comportamental imaculável que devem seguir, a fita era ao mesmo tempo um símbolo de segregação e de vergonha para os garotos. O adereço é uma clara referência ao bracelete com a estrela de David que judeus seriam obrigados a usar em diversas cidades alemãs durante o período que antecederia o holocausto.


A rigidez moral frequentemente se converte em violência e se torna ainda mais grave ao ser embasada  e justificada através de princípios religiosos, surge então a intolerância em relação ao diferente, ao incapaz e ao pobre... O desprezo dos outros garotos por um menino portador de deficiência mental é uma prenunciação, a atitude de outro garoto, que sente inveja de um brinquedo da colega e a ataca, também. No entanto o comportamento violento e arredio não é algo natural, ele é tão somente uma resposta aos estímulos externos que eles recebem, é uma resposta coletiva às fitas brancas presas ao corpo, aos castigos físicos, às noites passadas amarrados às camas, aos abusos sexuais e à repressão; maus tratos estes que recebem de seus próprios pais, dentro de suas próprias casas, castigos disfarçados de amor e cuidado... No entanto, a violência recebida na infância pode até explicar em partes o comportamento da vida adulta, mas ela não é capaz de justifica-lo.


Michael Haneke consegue nos levar a uma reflexão que vai além da proposta de buscar explicações para o holocausto, a dissecação moral que ele faz de seus personagens nos remete à nossa própria sociedade e aos nossos próprios dogmas e padrões. O filme não faz juízo de valor em relação à atitude dos pais, e esta é uma decisão acertada, uma vez que eles também não são naturalmente maus, eles apenas reproduzem um padrão comportamental que talvez tenha sido aprendido durantes suas próprias infâncias. De acordo com a moral vigente aquele seria de fato o comportamento virtuoso, o que contudo não os isenta da culpa de serem fomentadores de uma violência que um dia iria explodir. Por mais que nos pareça distante, tal situação nos lembra, que também somos capazes, como sociedade, de cometer atrocidades e nome de uma moral estabelecida ou de um credo. Haneke nos alerta de que, ainda que resguardadas as devidas proporções, somos também sujeitos ao mesmo ódio social e preconceitos mostrados no filme e, tal como na história, o fazemos com a consciência limpa, cientes de que estamos fazendo o que é correto...


A Fita Branca não é o tipo de filme que agrada tão facilmente a todos, ele tem um desenvolvimento não tão ágil, e sua trama não tem clímax, ele é complexo e lento e sua narrativa parte de um olhar distante e sem a onisciência daquilo que observa, tais aspectos poderão tornar o filme indigerível para boa parte do público, ele exige reflexão e nem todos estarão dispostos a conceder isso a ele. Para quem curte filmes de arte e não têm preguiça de pensar diante da tela, ele é uma excelente pedida. Ao assisti-lo preste atenção na naturalidade das atuações e na beleza da fotografia, das locações e dos enquadramentos. E o mais importante, não se permita se perder diante de aspectos que não são o mais importante da trama... A Fita Branca é um excelente filme, verdadeiramente uma obra de arte, ainda que a ideia central de seu roteiro, inspirado pelos estudo de Theodor W. Adorno (um dos principais nomes da Escola de Frankfurt), seja frequentemente motivo de polêmica entre algumas correntes de estudiosos do holocausto... Recomendo, mas não para todos!


A Fita Branca foi indicado aos Oscars de Melhor Filme em Língua Estrangeira e Melhor Fotografia. Ele venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e ganhou a Palma de Ouro, prêmio máximo do Festival de Cannes.

Assistam ao trailer de  A Fita Branca no You Tube, clique AQUI !

Confiram também aqui no Sublime Irrealidade a crítica de  Caché (2005) , também escrito e dirigido por Michael Haneke.


30 comentários:

  1. Respostas
    1. Pois é Antonio, duro principalmente por mostrar que em diversos aspectos aquela realidade não está tão distante da nossa...

      Excluir
  2. Quando vi sobre esse filme, pela primeira vez, fiquei muito interessada em assistir. Veremos qual serão minhas impressões, né!? É um estilo que muito me agrada...

    bjks JoicySorciere => Blog Umas e outras...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Acho que você irá gostar Joicy, principalmente por ele estar diretamente ligado às crianças e suas respectivas formações... Assista!

      Excluir
  3. Eu há muito tempo queria ver esse filme, mas ainda não tive a oportunidade.
    Parece interessante! Mas, como tu disse, não é todo mundo que gosta, espero estar na categoria oposta, porque já li vários elogios pra ele.


    http://1001filmesantesde2012.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Seja bem vinda Mione!
      Ah, estou quase certo de que você gostará dele, é cinema da melhor qualidade e certamente os amantes da sétima arte dificilmente ficarão indiferentes a ele...

      Excluir
  4. A obra do Haneke é sempre impactante, só não gosto de "Funny Games", mas A FITA BRANCA é algo que não consigo explicar. Um filme de grande ressonância, uma fotografia esplêndida.

    Abs.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Rodrigo,
      O filme é realmente impactante, eu preciso fazer um mergulho ainda maior na obra do diretor, que até agora só me surpreendeu positivamente... O próximo que assistirei será, provavelmente, "A Professora de Piano"...

      Excluir
  5. Olha você descreveu minuciosamente que se me perguntarem se já vi o filme, eu vou dizer que já e descaradamente vou descrever sua descrição hauhauhauhau.
    Muito bom.
    Beijokas

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. kkkkk
      Não vá por mim Marly, o filme é muito mais grandioso do que esta minha pobre análise, ele é muito mais profundo que isso e sua trama tem muito mais coisas que não comentei aqui...

      Excluir
  6. venho sempre aki as vezes pq gosto do seu espaço..mas queria te dizer uma coisa. no começo vc escrevia mais objetivamente e os textos era melhores, menores. agora vc escreve tanto, conta mt da obra e faz um texto beeeem enorme. n tem como voltar a como era antes no começo do blog? vc poderia diminuir mais, 2 paragrafos a menos seria melhor...abraço e parabens ae!!!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado pela dica, mas deixa eu tentar me explicar, rsrsr, o tamanho de casa resenha não é algo proposital ou pré-definido, é algo que acaba fluindo de acordo com a impressão que tive de cada filme... Quanto á questão da objetividade, é um aspecto que não preocupo tanto, pois vejo cada filme como uma obra de arte (seja ela boa ou ruim) e quando se trata de arte, definitivamente não tem como ser objetivo. E a falta de objetividade é um forma de subverter também o modelo de texto jornalístico com lead e "pirâmide invertida", que eu particularmente desprezo... Sobre contar muito do filme, eu não creio que eu o faça, geralmente as informações que passo estão presentes também na sinopse ou no trailer, senda assim não dá para dizer que são spoilers... Quando à desconstrução da obra, que tento fazer em cada análise, ela é mais pessoal e sendo assim, será provavelmente diferente com cada um que assistir ao filme, sempre brinco dizendo que neste processo de desconstrução existe mais de mim mesmo do que da obra que analiso...

      Eu entendo e compreendo sua solicitação e lhe agradeço pela crítica construtiva... mas acho que o tipo de texto continuará variando de filme para filme, pois não é algo que pretendo controlar previamente... De qualquer forma, continue visitando a página, será sempre um prazer receber sua visita, ah e deixe seu nome na próxima... Forte abraço!

      Excluir
    2. Chega de objetividade no mundo. Penso que no fim dos tempos, os seres humanos se comunicarão por meio de grunhidos, pois não será mais possível tanta síntese e tantas abreviações.
      J. Bruno, respeito (e, pelo jeito, tu também) a opinião do colega acima, mas te imploro para que continues com a riqueza de detalhes, riqueza nas expressões e, por que não, nas informações?
      Confesso que mergulhei no teu texto, que estou lendo imediatamente após ter assistido ao filme. Me deu uma visão diferente e complementar do que eu tinha observado.
      Gostei muito do blog.
      Abraços,
      Ana Carolina.

      Excluir
  7. boa dica meu caro, sempre vejo filmes e livros, com essa tematica da Segunga Guerra para tentar entender o que se passou, tem um livro que muito me tocou e até indico aqui que "Coração ferido lembranças e Cartas de lili Jah" vale muito a pena conhecer, uma historia real e detalhada do sofrimento nos campos de concentração e pré- SG.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Dica anotada Josi, vou dar uma olhada se encontro em uma das bibliotecas do CCBB e programar a leitura para assim que eu terminar os dois livros que estou lendo ultimamente...

      Excluir
  8. Oi Bruno,

    A crítica sempre completa! Eu me interesso por filmes sobre esse período e penso que parte desse interesse é para tentar entender o porquê de tal aceitação do povo alemão. Talvez tenham criado uma grande mentira para o povo, mas talvez exista mistura de falta de esperança. Vou anotar o filme!

    Beijos.

    Lu

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Com certeza Luciana, foi na verdade um conjunto de fatores e esta questão da falta de esperanças e de perspectivas de futuro é também retratada de uma forma brilhante no filme...

      Excluir
  9. Que super resenha! E com a crítica não tem como não ficar com vontade de assistir!
    Gostei demais do teu modo de escrever as resenhas, bem minuncioso, parece até que estou vendo o filme em cada palavra! Adorei!

    beijinhos e boa semana!
    Blog Variedades & Afinidades

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Poxa, obrigada Samiachan!
      Mas não deixe de ver o filme se tiver oportunidade, afinal esta foi uma visão pessoal, como mencionei em uma das respostas acima, você poderá, ao assisti-lo, fazer uma leitura de sua trama de uma forma ainda mais rica e detalhada... Obrigado pela visita e volte sempre!

      Excluir
  10. Ótima crítica! Me fez sentir saudades dessa obra prima do Haneke, pretendo reve-la em breve. Gostei da forma como vc dissecou cada detalhe, e a forma de sua escrita está cada dia melhor. Sou super-fã do Sublime Irrealidade. Grande abraço :-))))

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado Wilson!
      Na verdade ainda estou dissecando o filme, já tem alguns dias que o assisti e ele ainda não saiu de minha mente, eu adoro filmes que nos impacta de tal forma e não vejo a hora, como já disse, de mergulhar em naquelas obras de Haneke que ainda não assisti...

      Excluir
  11. Oi Bruno, posso te chamar assim né? como eu te disse no FB sou completamente analfa em se tratando de filmes que não são americanos ou brasileiros, e como Itanhaém é pequena, dificilmente esse filme estará nas locadoras, mas vou dar uma olhada mesmo assim. De qualquer forma vale a pena passar por aqui, vc escreve muito bem. Bjos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Luciana!
      A minha cidade também é pequena (apenas 100 mil habitantes) e não temos nenhum cinema... foi por conta disso que acabei me rendendo ao download, tenho alguns sites legais que compartilham arquivos de excelente qualidade, se gosto muito filme geralmente o compro depois...

      P.S. Pare de acreditar que você é analfabeta em relação aos filmes não americanos ou brasileiros, aposto que você já assistiu a obras de fora deste circuíto... fique atenta às resenhas que posto, "A Fita Branca" pode ser um filme mais difícil de ser encontrado, mas certamente lhe recomendarei outros filmes excelentes que não sejam tão difíceis de serem encontrados...

      Excluir
  12. Excelente filme... Mas, realmente para um certo público.
    É um filme que leva a reflexão e agride... A forma como a moral é percebida, a rigidez, os abusos, tudo é assustador e lento... assim como o processo que destroça o pensar pessoal por um coletivo doente e preconceituoso.

    ;D

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Karla!
      Precisamente o tipo de filme que mais valorizo, a arte precisa por vezes deixar de ser apenas entretenimento, ou acalento, para agredir e assim nos lembrar de nossa verdadeira natureza como indivíduos e como sociedade...

      Excluir
  13. Lembro que vi na época do Oscar e achei superestimado. Mas isso já faz um tempo, depois de vários textos falando bem, preciso rever. Aliás, ótima análise a sua, não só do filme, mas do comportamento humano. Me instigou a dar uma 2ª chance à A Fita Branca. Mesmo assim, acho que não supera o vencedor do Oscar no ano: O Segredo dos Seus Olhos. E outro concorrente do mesmo ano: O Profeta. Mas isso não é desmérito algum, claro! ;)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ainda não assisti nenhum dos outros dois Júlio, é um problema de uma cidade onde não tem cinema e onde as coisas circulam com uma dificuldade bem maior. Até bem pouco tempo atrás eu não tinha a facilidade que tenho hoje para ter acesso aos filmes, o que me fez perder muitas obras que eu queria muito ter visto...

      Excluir
  14. Perfeita sua resenha! Este é daqueles filmes, que tema e abordagem podem até trazer certo "mal estar" e, também, por isto é demasiado oportuno. Obra preciosa!

    ResponderExcluir
  15. Baixar o Filme - A Fita Branca - http://mcaf.ee/4lsy3

    ResponderExcluir
  16. Quando comecei a ler o post fiquei com o pé atrás imaginando que suas conclusoes sobre a questao guerra-alemaes seriam mais uma repeticao do que todo mundo declara a respeito.E me aliviou o fato de voce ter escrito exatamente o que aconteceu: um contexto historico de crises em todas as áreas da sociedade..e etc etc..rsrsr muito legal, gostei.

    http://alemanhablog.wordpress.com/


    ResponderExcluir