quarta-feira, 9 de março de 2011

127 Horas

127 Horas (127 Hours) - 2010. Dirigido por Danny Boyle. Roteiro de Danny Boyle & Simon Beaufoy, baseado no livro Between a Rock and a Hard Place de Aron Ralston. Fotografia de Anthony Dod Mantle & Enrique Chediak. Música de A. R. Rahman. Produzido por Christian Colson, John Smithson, Danny Boyle & Sharan Kapoor. Fox Searchlight / EUA.


Creio que o mais importante que tenho a dizer sobre 127 Horas (2010), é que se trata de um filme basicamente sensorial. Ao narrar a história verídica do alpinista Aron Ralston, o filme nos embarca numa viagem de sensações fortes, sem se preocupar com reflexões filosóficas profundas acerta do tema sobre o qual se desenvolve o roteiro. Cheguei a perceber, principalmente em comunidades em redes sociais, o quanto este filme estava sendo comparado ao Na Natureza Selvagem (2007) de Sean Penn. Apesar de ambos de certa forma abordarem a Fuga Juvenil (tema sobre o qual já discorri aqui neste Blog), eles têm angulações bem distintas entre si. O personagem real de 127 Horas é bem diferente de Chris McCandless, cuja história foi contada no filme de 2007, este é movido pela reflexão que o leva a fuga do que lhe é familiar. Já Aron parte para o desconhecido apenas em busca de aventura e não de uma verdade maior, se ele chega a ensaiar alguma reflexão sobre o significado de tudo que lhe acontece, isto é apenas um resultado do que lhe ocorreu e não a causa de sua "fuga".


Voltemos então á questão sobre o apelo sensorial deste filme. Desde as primeiras cenas somos surpreendidos com uma uma maravilhosa sequência de imagens capturadas em campo aberto no deserto de Utah, enquanto seguimos Aron no início de sua jornada. As primeiras tomadas do filme nos transmite um leve sensação de liberdade, que compartilhamos então com o protagonista. Mas de repente o acidente que ele sofre elimina toda esta boa sensação. Aron, ao tenter descer em uma fenda ingrime em um cânion, acaba tendo o braço preso por uma rocha que se desprende do paredão. A partir daí passamos a compartilhar com ele é uma angustiante sensação de claustrofobia, que em nós só é atenuada pela ruptura oferecida pelos flashbacks que nos ajudam a compreender um pouco da personalidade do alpinista.


James Franco realmente está em um bom momento (apesar de eu não concordar que ele seja merecedor do Oscar ao qual foi indicado), ele consegue transmitir apenas pela expressão facial os diversos sentimentos, como dor, euforia, angústia e resignação que seu personagem experimenta. E realmente não é fácil atuar com câmera focando diretamente seu rosto, sendo que grande parte das cenas são constituídas de close-ups. Algumas destas, são as que Aron, sem esperanças de sobreviver, se despede da família e dos amigos, tentando, numa espécie de reality show gravado com sua câmera portátil, descrever sua situação desesperadora.


A cena, que já é a mais famosa do filme, na qual Aron corta seu próprio braço para se desprender da rocha, nem é, na minha opinião, tão difícil assim de assistir, como têm dito por ai. Na verdade ela é atenuada não pelo que é mostrado, mas pela tensão que já era  desenvolvida desde o início do filme, reforçada pela sensação de claustrofobia que a situação de Aron em si e a sonoplastia nos passa. Mas de qualquer modo não é uma cena que vai agradar a todos e quem tiver problemas com mutilações e sangue é melhor pulá-la, ciente de que fazendo isso estará perdendo uma das mais importantes sequências do longa. Talvez eu deva esclarecer que não tenho nenhum gosto especial por este tipo de cena (acredite, tem gente que tem), nunca fui fã de filmes no estilo da franquia de Jogos Mortais, que o exploram, mas pular uma cena de tamanha importância é, na minha opinião, deixar de apreciar o filme em sua totalidade.


127 Horas é um ótimo filme que ainda tem a seu favor a façanha de nos prender, do início ao fim, a uma história da qual já conhecemos o final, e que se desenvolve, quase que por completo dentro da fenda de uma rocha (!). Mérito, que pelo que tenho lido, o longa Enterrado Vivo (2010) também consegue, em parte, realizar. A trilha sonora e a fotografia, essenciais para aquilo a que o filme se propõe, também merecem destaque. Resumindo é um grande trabalho da mesma dupla (diretor + roteirista) de Quem Quer Ser Milionário (2008), que merece ser visto e acima de tudo sentido. Em se tratando de trágica aventura real, o meu preferido continua sendo Na Natureza Selvagem, contudo recomendo 127 Horas sem restrições!

127 Horas foi indicado aos Oscars de Melhor Filme, Ator (James Franco – um dos piores apresentadores da cerimônica de entrega do Oscar que já vi), Melhor Roteiro Adaptado, Trilha Sonora, Canção Original e Edição. Ao Globo de Ouro, recebeu indicações nas categorias de Melhor Ator – Drama (James Franco), Roteiro e Trilha Sonora Original.


Assista ao trailer de 127 Horas no You Tube ! (clique no link)
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Confiram aqui no Blog SUBLIME IRREALIDADE a resenha de outros longas que concorreram ao Oscar de Melhor Filme 2011:
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O Discurso do Rei (The King`s Speech) - Vencedor
A Rede Social (The Social Network) - Indicado
Minhas Mães e Meu Pai (The Kids are All Right) - Indicado
Cisne Negro (Black Swan) - Indicado
O Vencedor (The Fighter) - Indicado
A Origem (Inception) - Indicado
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3 comentários:

  1. Adoooooro filmes, please preciso de uma dica pois to bem por fora das novidades de filme de comedia romantica, hahaha nada de agua com açucar heim, mas adoro filmes tipo Sexy In the City

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  2. Então, vamos lá!
    Lhe recomendo: "O Fabuloso Destino de Amélie Poulaim", "O Casamento de meu Melhor Amigo", "Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças", "Hora de Voltar", "Shakespeare Apaixonado"...
    Nem sei se dá para enquadrar todos estes neste gênero, mas com certeza são filmes que merecem serem vistos e acho que vc vai gostar!

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  3. Gostei de 127 horas e admiro o trabalho de James Franco.
    Ao contrário de ti sou fã da pseudo moral da história em JIG SAW(Jogos Mortais) adoro filmes um tanto quanto lado B com muito sangueeeeeeeeee!

    bjs

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