domingo, 30 de janeiro de 2011

Os Imperdoáveis

Os Imperdoáveis (The Unforgiven) 1993, dirigido e produzido por Clint Eastwoody, escrito por David Webb Peoples. Warner Bros / USA.


Descartando o terror, talvez o Western seja o gênero cinematográfico com o qual eu menos tenha afinidade. Nunca fui de me empolgar com cowboys sob seus cavalos perseguindo e matando índios, nem com xerifes durões, tão pouco com fora-da-leis mal encarados. Dança com Lobos (1990), acho que foi o primeiro filme do gênero que de fato gostei, talvez pelo propósito “revisionista” que Kevin Costner, como diretor, conferiu à trama. Da época de ouro do faroeste, talvez só Rastros de Ódio (1956), seja na minha opinião, digno de fazer parte de uma boa lista de filmes indispensáveis.

Já fazia algum tempo que o DVD de Os Imperdoáveis (1992) estava sob a minha escrivaninha, mas precisei assistir todos os outros que estavam comigo, os que eu ainda não tinha visto e até alguns que decidi reassistir, para assim dar uma oportunidade a ele. Apesar de reconhecer que o filme poderia ter ótimas atuações e um boa produção técnica, era do roteiro que eu duvidava. Seria esta mais uma dentre minha série de furadas provocadas pelo meu “preconceito cinematográfico”. Falei disso numa de minhas últimas resenhas.

Assim como Dança com Lobos teria sido feito para reparar os erros históricos dos clássicos do western, podemos dizer que Os Imperdoáveis, talvez tenha a pretensão de ser o último grande filme do gênero, e seja também uma última homenagem a este estilo que experimentou uma crescente decadência a partir dos anos 70. Os estereótipos do velho oeste estão todos lá, só que para serem desconstruídos no decorrer da trama. Ao invés das produções simplistas e maniqueístas dos westerns americanos de outrora, Clint Eastwood, como diretor, buscou referência foi no cineasta italiano Sergio Leoni, por quem foi dirigido na clássica Trilogia dos Dólares. Assim como em alguns longas do western spaghetti, em os imperdoáveis não existe herói, o que tem ali é ódio, ressentimento, culpa, crueldade, arrependimento e, como sugere o título do filme no Brasil, a falta de perdão.

Morgan Freeman e Clint Eastwood em Os Imperdoáveis

No filme a “paz” da pequena cidade começa a ser abalada quando um cowboy desfigura o rosto de uma prostituta com uma faca, por ela ter feito uma piada sobre o tamanho de seu órgão sexual. O cowboy e seu amigo, que o acompanhava no sallon, são detidos, mas são liberados com a promessa de indenizarem o dono do sallon, “proprietário” das prostitutas, com alguns potros. A impunidade faz com que as prostitutas juntem suas economias para oferecer uma recompensa pela cabeça dos dois vaqueiros. Schofield Kid (Jaimz Woovett), um jovem obcecado pelas histórias de fora-da-leis, decide perseguir os dois procurados e para isso pede a ajuda de William Munny (Clint Eastwood). Munny fora famoso pela sua crueldade, sendo um dos mais temidos matadores no passado, mas ele já estava velho e há mais de 10 anos não matava ninguém.


O casamento e a vida em família tinham feito Munny parar de beber e se arrepender de seus crimes do passado. Porém agora ele já estava já viúvo, com dois filhos pequenos para cuidar e seu sustento vinha de uma criação de porcos que era abatida por doenças. Na esperança de dar uma vida melhor para seus filhos, ele aceita a proposta de Kid, e convida Ned Logan (Morgan Freeman), seu parceiro nos velhos tempos, para partir junto nesta última caçada. Além dos três, um assassino inglês, chamado English Bob (Richard Harris), que se intitula de “o duque da morte”, também está interessado na recompensa. Os dois cowboys, cuja cabeça está a prêmio, permanecem na cidade, devido à garantia de segurança oferecida pelo xerife Little Bill Daggett (Gene Hackman). Bill, que veio das violentas cidades do oeste, é um homem sádico e violento que não tolera assassinos e depravados em sua cidade, ele considera os dois procurados homens bons e trabalhadores.

 

Como já disse, em Os Imperdoáveis não existe o embate entre herói e bandido, nem entre o bem e o mal, o que se tem é apenas a explosão da violência e os efeitos que esta causa naqueles que a adotam como estilo de vida e naqueles que a contemplam como objeto de idolatria. Um curto diálogo entre Munny e a prostituta que teve o rosto dilacerado, é uma das melhores sequências do filme, a cena é carregada de simbolismo. Com poucas palavras os personagens deixam claro que são atormentados pelos tipos diferentes de cicatrizes que a violência deixou em suas vidas. Outra sequência, uma que mostra um espancamento em praça pública, também é memorável (se você não consegue ver cenas de ultra violência, pule esta sequência).


Os Imperdoáveis recebeu em 1993 os Oscars de melhor filme, melhor diretor, melhor ator coadjuvante (para Gene Hackman) e melhor montagem. O filme ainda tinha sido indicado em outras cinco categorias: melhor ator (para o próprio Clint Eastwood), melhor direção de arte, melhor fotografia, melhor som e melhor roteiro original. Mesmo para quem, com eu, não tem afinidade com o gênero western, os imperdoáveis é imperdível. Clint Eastwoody parece se sentir a vontade no estilo que o deu notoriedade, ele está em um de seus melhores momentos como diretor e também como ator. E preste atenção também nas locações, os cenários são no mínimo exuberantes, um belíssimo trabalho de fotografia.

Assista ao trailer de Os Imperdoáveis no You Tube, clique AQUI ! 

De Clint Eastwoody, como diretor, recomendo também Cartas de Iwo Jima (2006) e As Pontes de Madison (1995).
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6 comentários:

  1. esse filme me parece bem interessante ^^

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  2. Cara muito da hora teu blog to seguindo ele.
    me segue ai tbm.
    http://hiphopactivistface.blogspot.com/
    valeu

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  3. Clint e Freeman: deve ser bom.
    Procurarei assistí-lo.

    abç
    Pobre Esponja

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  4. Parece legal, adoro filmes, vou procurar na internet...

    http://working-mock.blogspot.com/

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  5. Para mim os imperdoaveis foi uma dos melhores filmes de westers ,pela historia contada pela paisagem e tudo mais ,não foi atoa que rendeu oscar ...Clint westwood,morgan freeman,Gene Hackman,e Richard Harris
    Um,elenco formidável
    Parabéns pelo seu blog

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  6. Ótimo filme, na verdade gosto muito dos filmes do clint.
    Este filme me traz um sentimento muito parecido de quando assisti a "Menina de Ouro".
    Parabéns pela análise.
    Abraços.

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