segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

As Confissões de Schmidt

As Confissões de Schmidt (About Schmidt) 2002. Dirigido por Alexander Payne, escrito por Alexander Payne & Jim Taylor, baseado na obra de Louis Begley, produzido por Harry Gittes & Michael Besman. New Line Cinema / EUA.


As Confissões de Schmidt conta a história de Warren Schmidt (Jack Nicholson), um homem que não consegue lidar com sua vida pós aposentadoria. Depois de anos trabalhando em uma empresa do ramo de seguros, ele percebe, ao dependurar as chuteiras, que sua vida e tudo à sua volta não lhe agrada e é incapaz de lhe trazer realização. Schmidt se atormenta com pequenas questões de seu cotidiano, ele não se sente bem em seu casamento, não bota fé em seu sucessor na empresa e não concorda com o noivado da filha, por não considerar o noivo “à altura de sua menina”. Ele não consegue achar um sentido para sua vida e tudo piora quando sua esposa morre de repente. Ele que antes se perguntava quem é esta velha que dorme comigo?”, chega à conclusão que “você tem que apreciar aquilo que tem, enquanto ainda tem”. De fato a morte da mulher mexe com o já melancólico Warren, ao ficar viúvo ele passa a se sentir ainda mais solitário. O estado de espírito do velho Schmidt é exposto durante o filme através de confissões que ele faz por correspondências que envia a uma criança africana que “adotou”. Periodicamente ele envia um cheque para o menino apadrinhado e junto uma carta, onde narra sua vida e desabafa sobre seus desencantos e frustrações.


Depois de descobrir alguns segredos que a falecida esposa guardava e de uma tentativa frustrada de antecipar sua estadia na casa da filha, que deveria acontecer somente nos dias que antecederiam o casamento dela, Schmidt decide partir para uma viagem. Ao colocar o pé na estrada, com um trailer-casa, que comprara para fazer a vontade da esposa, ele é conduzido, pela busca de sentido e respostas, aos lugares importantes de sua infância e de sua juventude. A viagem faz Warren enxergar sua vida de uma outra forma e o liberta de algumas das mágoas que o impediam de encontrar a razão que buscava para sua vida. De alguma forma As Confissões de Schmidt me fez lembrar o clássico Morangos Silvestres (1957) de Ingmar Bergman. Em morangos silvestre, o professor de medicina, Isak Borg, viaja até Estocolmo para receber um prêmio e assim como acontece com Schmidt, a viagem o conduz ao seu passado para depois libertá-lo do peso do medo e do desamparo do presente. Em ambos os filmes, temos a velhice e os medos inerentes à ela como cenário para o desenvolvimento da trama e estão presentes nas duas histórias questões como a perda do sentido da vida, o abandono na velhice e o medo da morte. Enquanto a obra de Bergman tende para o questionamento filosófico sobre o fim da vida, a de Alexander Payne tenta buscar, através da figura de Schmidt o sentido que faça a vida continuar valendo a pena.


Payne considerou sua obra um “comédia dramática”, um amigo meu descreveu o filme como uma “comédia ácida”. Mas, talvez pelo meu estado de espírito, eu não consegui ver muito de comédia em As Confissões de Schmidt, mesmo as situações em que o personagens principal comete gafes, perde o controle ou se comporta feito um menino carente, são melancólicas pois ilustram sua incapacidade de lidar com a realidade à sua volta. Suas fraquezas e medos em nenhum momento nos soam exagerados e demasiadamente estranhos. O filme. de uma forma maravilhosa. nos desperta a sensibilidade para compreendermos um mundo, que pode ser similar ao de muitos idosos (e jovens) à nossa volta e expõe a falta de carinho e cuidado, que demonstramos, muitas vezes sem nem percebermos. É um filme que sem dúvidas merece ser visto. A atuação, sem caricaturas e maneirismos de Jack Nicholson está sublime, o que torna Schmidt ainda mais humano e capaz de despertar nossa simpatia, apesar do pouco carisma do personagem. A atuação rendeu a indicação de Nicholson para o Oscar de melhor ator, que perdeu para Adrien Brody (de O Pianista). Kathy Bates, que fez a sogra da filha de Schmidt, também foi indicada ao Oscar na categoria de melhor atriz coadjuvante. Recomendo!

De Alexander Payne, indico também: Eleição (1999) e Sideways - Entre Umas e Outras (2004).


Assistam ao trailer de As Confissões de Schmidt
no You Tube, clique AQUI !

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