domingo, 6 de fevereiro de 2011

Copyright x Copyleft - parte 2


O simbolo do copyleft é um "c" invertido
que indica oposição ao copyright
Acho difícil pra mim, me posicionar aqui quanto ao download de filmes, pois entendo pouco, ou quase nada, sobre em que termos se dá o financiamento à produção no cinema. Mas acho que tenho uma posição formada no tocante ao compartilhamento de músicas. Antes de expor meu ponto de vista, quero deixar bem claro que não defendo o download de músicas para comercialização, apenas como uma espécie de troca entre amigos. Sou da época em que comprávamos fitas K7 para gravar os discos e CD´s raros que só alguns dos amigos tinham, ninguém nunca cobrou por isso e nem nos tornamos bandidos fazendo-o, muito pelo contrário.

Já não tem mais efeito pra mim, o argumento que diz que quando deixamos de comprar um CD original estamos prejudicando o artista. Acho que já está mais do que claro, que quem ganha com a venda de CD´s não são os artistas, são as gravadoras e outras grandes empresas do ramo fonográfico. Empresas estas que insistem em manter os preços absurdos das mídias como CD´s e DVD´s. Tal como sempre aconteceu, o sustento do artista é proveniente de shows e outros tipos de apresentações. Quando se pratica a pirataria, quem está sendo prejudicado não é o artista, são os sanguessugas da indústria da música.

Cheguei certa vez a ouvir o absurdo que diz que um artista nato nunca estaria capacitado a exercer outro trabalho, que não a sua arte (as igrejas evangélicas adoram este argumento) e sendo assim não conseguiria seu sustento de outra forma que não através da venda de CD´s. Quem usa este argumento despreza o fato de que o artista ganha com suas apresentações, e o simples fato de que exista atualmente mais qualidade artística no underground que no mainstream desmente esta tese.

Tal como na época do Napster, atualmente os artistas estão divididos. O download chegou a ser convertido em pecado pelos cantores evangélicos e católicos. Eles combatem a pirataria, mas não aceitam diminuir o preço de venda de seus discos. Tal postura se torna ainda mais incoerente uma vez que grande parte da produção destes artistas é feita de forma independente, o que tornaria o custo final do CD bem mais barato, mas não é o que acontece. Neste caso a questão é simples, trata-se da obtenção do lucro máximo possível, mesmo que isso vá contra o que pregam em suas músicas. Se de um lado tem artistas (deveriam ser chamados de artesãos) como estes, por outro temos bandas como o Artic Monkeys, que conquistou sucesso mundial apenas com a disponibilização de suas canções na net, quem gostou passou pra frente e o reconhecimento veio como consequência.

A banda Radiohead disponibilizou o seu sétimo CD “In Raimbows” para download, antes do lançamento oficial, o fã que baixasse escolheria quanto pagar (ou não pagar) pelos arquivos. Lobão, que gravou os seus últimos discos (com exceção do “Acústico) pela gravadora própria, a Universo Paralelo, escolheu a venda através de bancas de jornais com preços populares. No caso de um dos álbuns foi vendido apenas o encarte, as músicas poderiam ser baixadas gratuitamente no site da gravadora do cantor. Lembro do Alceu Valença, no último show dele que fui, dizendo para o público: “quem tiver um CD meu em casa, faz uma cópia e passa para o colega, para o vizinho...”. Lembro também dos inúmeros selos e “distros”, que se empenham em divulgar a música de boa qualidade sem ter a visão unilateral do lucro, e penso que talvez o embate possa ter um fim.

Se por um lado a internet é vista por alguns como uma vilã que prejudica os artista, por outro ela deve passar a ser encarada como um campo de possibilidades. Não há sombra de dúvidas que a internet pode hoje suprir com agilidade boa parte do trabalho que era feito pelas gravadoras. E neste novo panorama, quem tiver criatividade vai sair na frente, e os adeptos da forma antiga de pensar, como a de bandas como o Metallica, vão ficar pra trás. Já se fala no conceito de “música 2.0”, isto já é uma realidade. Mais que uma ideologia libertária em torno da embate, isso é uma questão de mercado e quem não se adaptar vai ficar de fora. Para encerrar este artigo, cito aquele que é um dos melhores exemplos de adaptação na música 2.0, a Trama Virtual. que criou o modelo de “download remunerado”, que como o slogam diz é “grátis para você, remunerado para o artista”.

SITES DE REFERÊNCIA :

- Matéria do jornal O Tempo sobre a entrevista dada por Francis Ford Copolla 

- Matéria publicada em 2001 na revista Rock Brigade sobre as novidades em torno dos novos (na época) formatos de música e compartilhamento de arquivos.

- Matéria sobre o mercado da música 2.0, publicada no site Meu Palco

- Estrevista concedida por Lobão à revista Playboy sobre a indústria fonográfica.

- Artigo sobre a pirataria publicado em site evangélico.

- Site da Trama Virtual (vale a pena conhecer o modelo de download remunerado).
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5 comentários:

  1. Bruno,você como sempre posta de maneira inteligente e critica.Este é um assunto que envolve muitas posições na hora do dialogo,acho que simplesmente este embate nunca ira passar, pode se atenuar com o tempo, mas se extinguir jamais.Creio que mesmo com a ação do FBI fechando o megaupload e estando na mira de varios outros sites,a teia da internet não vai parar, haverá outro site para tomar o lugar do megaupload, quem tiver que carregar outro arquivo na internet vai carregar, mesmo que seja com outro site.
    Concordo com seu ponto de vista sobre os downloads, e é claro fiquei muito mais informado com seu texto. Amo ler quem trabalho com o coração.
    Um Abraço
    jeferson Barbosa

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  2. Bruno,
    Concordo com o seu posicionamento, mas entendo que existe a necessidade de uma normatização, sem interferir na liberdade de imprensa, mas algo que defenda a propriedade intelectal.

    Lu

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  3. Acredito que deva sim existir uma normatização, porém acredito que seja inútil criminalizar o compartilhamento de arquivos, uma vez que ele já é uma realidade que dificilmente será contornada, acredito portanto que diante deste contexto não é o público que deva mudar e sim as grandes produtoras, gravadoras e editoras que devem se adaptar a um novo modelo de mercado... adaptação que a Trama Virtual, que citei acima, fez de forma muito bem sucedida...

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  4. Olá Bruno!

    Obrigado por visitar e comentar no meu blog.

    Eu li seus textos. Acho muito legal pensar no download de músicas como algo positivo para os artistas, quanto ao cinema talvez seja mais difícil mesmo. Seria um retorno triunfal do teatro? Quem quisesse realmente se destacar como autor teria que recorrer a essa alternativa? Vamos aguardar...

    Abrç

    End Fernandes

    ...

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  5. Seja bem vindo End Fernandes,
    Realmente no cinema a questão fica bem mais complicada, pois geralmente existem quantias muito maiores em dinheiro envolvidas, penso que neste caso, o que precisa ser revisto é a questão da distribuição, pois infelizmente uma quantidade muito pequena de obras chegam de fato aos cinemas e ao grande público, mudando esta realidade, eu acredito que estaríamos mudando também a forma de pensar o cinema como arte e como indústria... Neste âmbito também, a pirataria é uma realidade que não tem mais volta, vai ser difícil, mas cineastas e produtoras precisarão se reinventarem para assim se adaptarem ao novo modelo...

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