Missão: Impossível - Protocolo Fantasma (Mission: Impossible - Ghost Protocol) - 2011. Dirigido por Brad Bird. Escrito por Josh Appelbaum e André Nemec. Direção de Fotografia de Robert Elswit. Música Original de Michael Giacchino. Produzido por J.J. Abrams, Bryan Burk e Tom Cruise. Paramount Pictures e Skydance Productions / USA | Emirados Árabes Unidos.
Ninguém que tenha visto os três primeiros filmes da franquia de Missão: Impossível e que esteja em sã consciência pode dizer que Protocolo Fantasma (2011), o quarto filme da série, é decepcionante, afinal ele repete a mesma fórmula que foi usada nos primeiros, com a excelente execução técnica que já é característica da franquia. Neste caso, repetição não pode, por si só, ser considerada um fator de frustração, uma vez que o público já sabe o que esperar do filme. Por mais absurdo que isto possa parecer, o fato de o filme ser apenas mais do mesmo é o que o torna tão interessante e isso se deve ao fato de que não se espera dele nada de extraordinário no tocante à trama, atuações e demais aspectos artísticos. O público que curtiu os primeiros longas protagonizados pelo agente Ethan Hunt (Tom Cruise) quer apenas vê-lo salvar o mundo mais uma vez, de preferência em uma história que ofereça tão somente entretenimento leve e de fácil digestão.
Aceitando-se que a proposta de Missão: Impossível - Protocolo Fantasma não é a de ser uma obra de arte, ou a de alcançar uma significativa profundidade dramática, fica mais fácil enxergá-lo como um bom filme, o que de fato ele é. Brad Bird, diretor que tem no currículo duas animações vencedoras do Oscar - Os Incríveis (2004) e Ratatouille (2007) - assumiu a direção do longa e realizou um excelente trabalho, digno dos mais sinceros elogios. Neste, que foi seu primeiro filme em live action, Bird demonstrou uma grande habilidade para conduzir cenas de ação e para manter uma tensão sempre crescente. Desde a primeira sequência o filme adquire um ritmo rápido, que mal dá tampo para o espectador respirar, uma cena de tirar o fôlego é sempre sucedida por outra tão impressionante quanto e esta enxurrada de ação é conduzida de uma forma que não permite que a história perca o sentido e a continuidade.
Não há nada de novo no roteiro escrito por por Josh Appelbaum e André Nemec, pode-se dizer que ela apenas remonta o mesmo tipo de situação que já fora vista nas outras produções da franquia. Como é comum acontecer em películas do gênero, a história busca seus fundamentos naquele que teria sido o período clássico da espionagem como a conhecemos, a guerra fria. O que vemos no filme é ainda um resquício do mundo bipolarizado e do embate entre os Estados Unidos e a antiga União Soviética.
Em Missão: Impossível - Protocolo Fantasma estão presentes todos os elementos característicos dos filmes de agentes secretos, lá estão as perseguições, a corrida contra o tempo, os planos de fuga e os disfarces. Mesmo não sendo originais, estes elementos são muito bem explorados pela narrativa, que transita por questões complexas, mas sem se aprofundar nos temas políticos em que toca.
No início do filme, o agente Ethan Hunt se encontra encarcerado em uma prisão russa, uma missão de resgate é enviada ao locar para libertá-lo, após escapar de lá ele recebe uma nova missão, ele deverá se infiltrar no Kremlin (fortaleza russa) e roubar códigos secretos que serviriam para ativar um arsenal nuclear. Algo dá errado durante a execução da missão e o presidente dos Estados Unidos declara o Protocolo Fantasma, através do qual ele desativa a IMF (Impossible Missions Force), agência para a qual Ethan trabalha, e este passa a ser considerado um extremista perigoso e se torna um foragido. Sem o apoio e os recursos oferecidos pela agência, o espião se junta aos remanescente de sua equipe, Brandt (Jeremy Renner), Benji (Simon Pegg) e Jane Carter (Paula Patton), para impedir que uma provável devastação nuclear aconteça.
É inegável que a presença de Tom Cruise no elenco é um ponto positivo, eu sinceramente não consigo imaginar a franquia sem ele e sem o carisma de seu personagem, contudo sua atuação não tem nada de extraordinária, sua interpretação é pautada apenas pelo básico, o feijão com arroz, o que não é de todo uma problema, uma vez que o filme não lhe pede nada além disso. Vale a pena destacar o fato de ele mesmo, no auge de seus quase 50 anos, ter gravado algumas das sequências mais arriscadas do longa, feito que à primeira vista teríamos facilmente atribuído aos dublês. Jeremy Renner, Simon Pegg e Paula Patton embarcam no mesmo tipo de atuação automatizada e maniqueísta, o que, reforço, não é um problema tendo-se em vista a superficialidade da trama.
Como tem sido comum em boa parte dos filmes hollywoodianos, Missão: Impossível - Protocolo Fantasma realiza uma espécia de convergência entre gêneros, sem com isso perder seu rótulo principal que é o de filme de ação, ele flerta com a comédia, através de gags físicas e de tiradas feitas pelos personagens, e com o drama, trabalhado na história através da culpa e do ressentimento que dois dos personagens sentem, sendo que em um deles tais sentimentos são provocados pela morte de uma pessoa querida e no outro pelo fracasso na realização de um trabalho que lhe foi confiado. Em diversas produções tal tipo de flerte com gêneros distintos chega a ser um incômodo, por não ser feito na medida certa, porém, neste, apesar de totalmente dispensável, esta convergência é feita de uma forma sutil, que não chega a incomodar. As pitadas de humor presentes na trama é um dos diferenciais em relação aos outros filmes da franquia e se mostra como um viés a ser explorado em outros longas que provavelmente ela ainda renderá.
Missão: Impossível - Protocolo Fantasma é um ótimo filme pipoca, que funciona muito bem como entretenimento. Ao assisti-lo, preste atenção na excelente escolha das locações (o filme começa em Budapeste, passa por Moscou, Dubai, Bombaim e termina nos Estados unidos) e na sequência que se passa no Burj Khalifa, considerado o prédio mais alto do mundo...
Este filme é uma boa pedida para uma sessão escapista após uma dia de elevado estresse, situação na qual posso garantir, por experiência própria, que ele funcionará muito bem. Recomendo!
A revelação das passagens aqui comentadas não compromete a apreciação da obra,







































